Melhor marcador do último campeonato nacional de juniores, com 22 remates certeiros, Diogo Jota justificou a assinatura de um contrato profissional em junho. O primeiro sinal de uma forte aposta dos castores.

A receção ao Atlético, de Reguengos de Monsaraz, para a Taça de Portugal parecia o cenário ideal para uma oportunidade. A equipa técnica elevou a fasquia e colocou o adolescente no onze, partilhando o ataque com Bruno Moreira. Duas setas apontadas à baliza alentejana.

Perante um adversário do Campeonato Nacional de Seniores, Diogo Jota demonstrou atrevimento desde o pontapé de saída. O jogador da equipa júnior serviu Bruno Moreira para o segundo golo, participou no terceiro e marcou o quarto tento dos castores (4-0).

«Estava desde o início da época a trabalhar para ter esta oportunidade, tentei agarrá-la e fico feliz por ter ajudado a equipa», disse o jovem no final do encontro, garantindo que não sentiu ansiedade em campo: «Dormi bem e acho que não fiquei muito ansioso. Tentei não pensar muito no assunto e mesmo que tivesse ficado ansioso, quando entrou em campo tudo passa e foco-me no meu jogo.»

Os responsáveis do Paços de Ferreira acreditavam numa estreia de sonho e lançaram um enigma de véspera.

Após o encontro, a confirmação: «17 anos, 10 meses, 15 dias. Assim começou a história». A história de Diogo Jota no futebol profissional.

«Fiquei feliz por ter trabalhado bem para a equipa, por ter contribuído para a vitória, mas claro que, sendo avançado, marcar um golo torna a estreia ainda melhor. Continuarei a trabalhar, mais e melhor, para ser novamente chamado à seleção nacional sub-19, se possível já no final de outubro, e para entrar mais vezes nas contas do treinador do Paços.»

Paulo Fonseca continuará a olhar para Diogo Jota como um ativo valorizável. Enquanto não surgir nova oportunidade, o jovem avançado estará na equipa júnior a causar desequilíbrios como este, em setembro, na visita ao FC Porto.

A história de Jota vai sendo escrita com golos mas, curiosamente, estamos perante um avançado que não o era.

Natural do Porto, o jovem fez a grande parte da sua formação no Gondomar Sport Clube (desde 2003) e chegou a Paços de Ferreira na época passada. O clube da Mata Real ficou encantado com o melhor marcador sub-17 da Associação de Futebol do Porto na época 2012/13.

Diogo Jota apresentava-se como médio ofensivo e por ali jogou até à segunda fase do último campeonato nacional de juniores. «Sempre joguei mais como médio ofensivo e, por isso, as minhas referências eram o Pablo Aimar e recentemente o Rafa, do Sp. Braga. Entretanto, quando chegou a segunda fase do campeonato de juniores, adiantei-me no terreno.»

Avançado móvel (tem 1,78 metros; 70 quilos), tem instinto goleador e demonstrou – frente ao Atlético de Reguengos de Monsaraz – capacidade para causar desequilíbrios na área contrária. Porém, admite que gosta de liberdade. «Sinceramente, gosto de partir mais de trás, sinto que ganho vantagem sobre os adversários, mas estou a adaptar-me e, seja em que posição for, quero é jogar», remata a promessa do Paços.