«Vou ficar um, dois, três meses parado, até recuperar a alegria, dei um tempo na minha carreira, pois perdi essa alegria», declarou Adriano, em conferência de imprensa, num hotel do Rio de Janeiro.

O ponta-de-lança ficou no Brasil depois de ter representado a selecção canarinha nos jogos de qualificação para o Mundial-2010. De acordo com a imprensa do país, Adriano esteve «sumido» numa favela do Rio de Janeiro, mas dias mais tarde apareceu em casa da mãe.

O brasileiro explicou a ida ao sítio em que cresceu, Vila Cruzeiro: «Não vou deixar de frequentar a minha comunidade de maneira alguma. É lá que eu fico à vontade, de calções e descalço. Não tenho esse tipo de contacto [com traficantes]. Mas sei que lá há pessoas boas e as que seguiram outro tipo de vida. Se disser que nunca vi bandidos, é mentira. Só que uma coisa é saber quem é, outra é relacionar-se.»

De uma coisa Adriano tem certeza. Não quer voltar a Itália: «Queria explicar o que houve nos últimos dias. Colocaram muitas coisas no jornal. Tudo o que eu fiz foi bem pensado. Conversei com a minha família, com os meus amigos e o meu empresário. Estou a fazer isso a pensar na minha felicidade. Não tenho nada contra o Inter, só não gostava de viver na Itália. Eu sentia-me pressionado e suportei uma pressão grande desde os 18 anos. Muita gente não vai entender, é uma situação ruim, chata, não é fácil. Mas é uma opção de vida.»

O ponta-de-lança negou ainda que tenha problemas de saúde. Não sou doente, o Adriano não está morto, mas estão a matar-me», disse, entre sorrisos. Desse modo, há a possibilidade de jogar por um clube brasileiro? «Se jogar no Brasil, tem de ser no Flamengo, se não minha avó mata-me», concluiu, com humor.