A barbaridade cometida por Carlos Eduardo em Guingamp não deixou ninguém indiferente. Vimos uma e outra vez os cinco golos, anotámos as reações estremecidas em França, procurámos os números do médio do FC Porto e, por último, entrevistámo-lo.

O feito irrepetível – arriscamos a expressão – de Carlos Eduardo, um jogador emprestado pelos dragões ao Nice, levou-nos então a outra pesquisa: o que andam a fazer todos os atletas cedidos pelos três grandes a outros emblemas?

Recolhidos os números, a conclusão genérica é esta: a esmagadora maioria terá de elevar os registos pessoais caso acalente a esperança de retornar à Luz, ao Dragão ou a Alvalade.

Quase meia centena de futebolistas tenta fazer pela vida longe do clube a que pertencem. Procuram espaço, minutos, golos, a atenção da comunicação social.

Pedir um ato heroico, da estirpe do perpetrado por Carlos Eduardo, seria terrivelmente injusto.

Seja como for, fica no ar a sensação de alguma desilusão em relação a vários nomes.

Clube a clube, o Maisfutebol analisa e conclui o que tem sido a temporada dos excedentários dos três grandes.

Queremos também saber a opinião do leitor sobre alguns nomes. Deixe-a na caixa de comentários.

BENFICA (20 jogadores)

Jorge Jesus tem duas dezenas de nomes em rodagem. Quase metade são avançados. Golos, porém, nem vê-los. Ou quase. O homem que marca mais é o desconhecido Clésio, cedido aos norte-americanos dos City Islanders.

Dos nomes mais sonantes, nota para a melhoria de Candeias ao longo das últimas semanas, na II Bundesliga, e para as dificuldades de Funes Mori e Djuricic em serem opções regulares nos onze iniciais de Eskiserhispor e Mainz, respetivamente.

Do trio que está no Deportivo Corunha, Sidnei e Fariña são os titulares absolutos nas escolhas de Victor Fernandez. Ivan Cavaleiro tem alternado o banco com a titularidade e fez, por ora, um golo.

Há três laterais direitos nesta lista. Cancelo fez um jogo no Valência de Nuno E. Santo, Bruno Gaspar começa a afirmar-se no excelente Vitória Guimarães e Luís Felipe, recambiado para o Brasil, tem cerca de 700 minutos de competição no aflito Criciúma.

Bernardo Silva é um caso especial e que tem merecido atenção por parte do Maisfutebol. Completamente ignorado por Jorge Jesus [oito minutos na I Liga, 13 na Taça da Liga e 10 na Taça de Portugal], o talentoso médio encontrou espaço nas escolhas de Leonardo Jardim e, por consequência, numa das equipas mais fortes em França.

Bernardo já soma sete presenças na Ligue 1 e duas na Liga dos Campeões. Uma delas contra o... Benfica. Para Jesus ver e, quem sabe, refletir.

Na Turquia, Funes Mori tem aproveitado a taça para marcar. Dos seis golos que tem, cinco foram apontados nessa competição.

Bons sinais: Luís Fariña (Deportivo, Espanha)

Desilusão: Filip Djuricic (Mainz)   

Defesas:

. Luís Felipe (Criciúma), 10 jogos oficiais/1 golo (709 minutos)

. Sidnei (Deportivo), 7 jogos (630 minutos)

. Bruno Gaspar (V. Guimarães), 4 jogos (340 minutos)

. João Cancelo (Valência), 1 jogo (90 minutos)

. Serginho Neves (Belenenses), não utilizado

Médios:

. Airton (Botafogo), 31 jogos (2184 minutos)

. Luís Fariña (Deportivo), 8 jogos (652 minutos)

. Raphael Guzzo (Desp. Chaves), 7 jogos/2 golos (491 minutos)

. Filip Djuricic (Mainz), 8 jogos (409 minutos)

. Bernardo Silva (Mónaco), 9 jogos (382 minutos)

. Jota (Vilaverdense), 2 jogos (46 minutos)

Avançados:

. Yannick Djaló (SJ Earthquakes), 18 jogos/3 golos (1137 minutos)

. Jorge Rojas (Gimnasia), 13 jogos/1 golo (990 minutos)

. Clésio (Harrisbury City Islanders), 20 jogos/5 golos (905 minutos)

. Candeias (Nuremberga), 8 jogos/2 golos (677 minutos)

. Funes Mori (Eskisehirspor), 8 jogos/6 golos (671 minutos)

. Ivan Cavaleiro (Deportivo), 9 jogos/1 golo (439 minutos)

. Harramiz (Farense), 7 jogos (435 minutos)

. Lolo (Lugo), 10 jogos/1 golo (326 minutos)

. Kevin Friesenbichler (Lechia Gdansk), 5 jogos/2 golos (173 minutos)

Golo de Friesenbichler na Polónia:

FC PORTO (18 jogadores)

Julen Lopetegui andará com os cinco golos de Carlos Eduardo na cabeça. O empréstimo do brasileiro foi ordenado pelo espanhol que, durante a pré-temporada, chegou a experimentá-lo na posição ‘6’. Sem sucesso.

Para o meio-campo entraram muitos atletas, o agora jogador do Nice nem inscrito na Liga dos Campeões foi e a saída acabou por ser a confirmação do que se percebia através das opções de Lopetegui.

Carlos Eduardo está a aproveitar bem a passagem pela Ligue 1 e o FC Porto, se nada de muito chocante suceder, acabará por beneficiar disso. De uma ou de outra forma. Uma transferência definitiva – quiçá para um grande França - seria bem acolhida nos cofres da SAD; um regresso em forma de jogador bem formatado competitivamente só podia ser motivo de aplauso.

A época ainda agora arrancou, sim, mas também já se pode falar numa deceção. Sami fez uma pré-época interessante [dois golos ao Genk e titularidade no jogo de apresentação], deu sinais de ser capaz de ser extremo e/ou ponta-de-lança mas, a dada altura, desapareceu das escolhas.

Integrou-se no Sp. Braga quando os minhotos já treinavam há bastante tempo e essa é uma boa atenuante para a pobreza dos números do atacante. Pouco a pouco, Sami poderá convencer-nos de que estamos a ser injustos e, talvez, precipitados neste rótulo que lhe estamos a colar.

Nota ainda para os dados de Abdoulaye e Licá no Rayo, as provas felizes de Pedro Moreira e Tozé na I Liga, e dos quatro golos de Kléber no Estoril-Praia. Isto, apesar da má campanha dos canarinhos.

Bons sinais: Carlos Eduardo (Nice, França)

Desilusão: Sami (Sp. Braga)

Guarda-redes:

. Igor Stefanovic (Chaves), 3 jogos (270 minutos)

. Sinan Bolat (Galatasaray), não utilizado

Defesas:

. Abdoulaye Ba (Rayo Vallecano), 7 jogos (557 minutos)

. Quiñones (Penafiel), 5 jogos (270 minutos)

. Júnior Pius (Aves), 2 jogos (170 minutos)

Médios:

. Pedro Moreira (Rio Ave), 13 jogos/2 golos (936 minutos)

. Izmaylov (Krasnodar), 12 jogos/1 golo (730 minutos)

. Tozé (Estoril-Praia), 9 jogos/1 golo (570 minutos)

. Carlos Eduardo (Nice), 7 jogos/6 golos (530 minutos)

. Josué (Bursaspor), 7 jogos (516 minutos)

. Rúben Alves (Famalicão), 1 jogo (16 minutos)

Avançados:

. Mauro Caballero (Aves), 13 jogos/3 golos (936 minutos)

. Ghilas (Córdoba), 7 jogos/1 golo (510 minutos)

. Licá (Rayo Vallecano), 6 jogos (472 minutos)

. Kléber (Estoril-Praia), 7 jogos/4 golos (416 minutos)

. Sami (Sp. Braga), 4 jogos/1 golo (141 minutos)

. Djalma (Konyaspor), 1 jogo (45 minutos)

. Silvestre Varela (WBA), 1 jogo (15 minutos)

Um golo de Ghilas em Espanha:

SPORTING (9 jogadores)

Os leões reduziram drasticamente o quadro salarial no reinado de Bruno de Carvalho. Há, nesta altura, nove jogadores sob contrato emprestados a jogar noutras paragens.

Wilson Eduardo, uma esperança eternamente adiada em Alvalade, é titular no Dínamo Zagreb e tem recebido críticas muito elogiosas da imprensa croata. No Sporting, com a concorrência de Nani, Carrillo, Capel, Carlos Mané e Heldon seria, de facto, difícil vê-lo muitas vezes em campo.

Pior tem sido a experiência de Betinho, por exemplo. O ponta-de-lança, internacional sub21, transferiu-se para os ingleses do Brentford e só tem um jogo oficial no currículo. Depois de 13 minutos contra o Norwich no competitivo Championship, seis jogos seguidos como suplente não utilizado.

Mau, muito mau, para um dianteiro que já na época anterior falhara no Vitória Setúbal: oito jogos e nem um golo para amostra.  

Bons sinais: Wilson Eduardo (Dínamo Zagreb, Croácia)

Desilusão: Betinho (Brentford, Inglaterra)

Defesas:

. Ruben Semedo (Reus), 3 jogos (225 minutos)

Médios:

. Zezinho (AEL Limassol), 3 jogos (105 minutos)

. Kikas (Rapid Bucareste), não utilizado

Avançados:

. Diego Rubio (Sandnes Ulf), 26 jogos/7 golos (1789 minutos)

. Wilson Eduardo (Dínamo Zagreb), 13 jogos/1 golo (768 minutos)

. Labyad (Vitesse), 6 jogos/2 golos (471 minutos)

. Viola (Karabukspor), 3 jogos/70 minutos

. Betinho (Brentford), 1 jogo/13 minutos

. Diogo Salomão (Deportivo), não utilizado

Golaço de Diego Rubio na Noruega: