artigo atualizado: hora original 23h57 19.11.2017

O Barça de Louis van Gaal, depois Frank Rijkaard e Pep Guardiola, e por fim Tito Vilanova. De Overmars, Riquelme, Kluivert e Mendieta. De Ronaldinho, Davids, Luis Enrique, Xavi e Iniesta. Deco, Eto’o e Larsson. De Messi, e de Zambrotta, Thuram e Gudjohnsen. De Ricardo Quaresma. Bojan, Yaya Touré e Giovani dos Santos. Busquets, Thiago, Henry. Ibrahimovic e Dani Alves. Mascherano, Villa, Puyol e Piqué. Fàbregas e Alexis Sánchez. De Neymar. De todos, mas quase sempre de Victor Valdés.

Atrás de Iker Casillas na baliza da Roja, Valdés cresce e evolui na baliza culé, contrariando os que lhe vaticinavam uma carreira sem grande projecção ou glória. Ano após ano reforça o estatuto de um dos melhores guarda-redes do continente, até que em maio de 2013 anuncia que deixará o clube no final do contrato. Uma rotura no ligamento cruzado desfaz o que vinha aí: o Monaco, sem a pressão que acumulava no Camp Nou e que servira de justificativo para a decisão, rasga o pré-acordo.

Recupera no Manchester United, chega a voltar, mas a alegada recusa em participar num jogo das reservas escancaram-lhe a porta da saída. Falha o acordo com o Besiktas, é emprestado ao Standard Liège, mas os belgas enviam-no de volta para Inglaterra antes do final do contrato para dar lugar aos mais jovens. Segue-se o Middlesbrough, do qual se despede meses depois, com a descida do clube ao Championship. Põe o ponto final na carreira, três anos apenas depois das reticências que deixara a lesão grave.

Seis anos antes da decisão mais difícil de todas, a baliza é sua, e ninguém ousa contrariá-lo. A 29 de agosto, arranca a liga espanhola de 2011-12, no Camp Nou, perante um sempre competitivo Villarreal.

Ao 38º minuto, a máquina trituradora a que chamam Barça já vence por 1-0, na sequência de um golo de Thiago Alcántara. Só que o Submarino Amarelo emerge junto à área culé com Giuseppe Rossi a tomar conta do periscópio e a rematar forte, em posição irregular, para uma grande mergulho de Valdés para a esquerda. A bola ressalta para trave e beija a linha de golo, elevando-se para o que mais parecia ser o golo certo: Rossi ameaça já cabecear a recarga para as redes.

A reação é fortíssima. No chão, de costas para baliza e atrasado em relação ao cirúrgico avançado italiano, o guardião dá três passos e voa para a bola, tirando-a da cabeça do rival e para lá da linha de fundo. Rossi não quer acreditar, Valdés parece armado naquele jeito de culturista, de punhos cerrados e braços ao longo do corpo.

(Terá sido assinalado fora de jogo a Giuseppe Rossi, mas não deixem que um pormenor estrague uma boa história)

O Barcelona goleia o Villarreal por 5-0. Bis de Messi, e Cesc Fàbregas e Alexis Sánchez a somarem também ao remate inaugural de Thiago. A candidatura à revalidação do título está lançada.

Não será um ano totalmente feliz. Os catalães perdem o título para o Real Madrid de José Mourinho, e são eliminados nas meias-finais da Champions pelo Chelsea. Ganham a Taça, as supertaças espanhola e europeia, e o Mundial de Clubes, mas perdem Pep Guardiola no final da temporada. Valdés ainda continuará em grande nível mais um pouco, com esse minuto 38 em Camp Nou a lembrar-lhe do que era mesmo capaz.

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