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«Somos uma antiga colónia inglesa e temos muitos cidadãos nossos a viver na metrópole há algumas gerações. Com esta estratégia, acredito que vamos descobrir atletas em Inglaterra com ligações familiares a Anguilla. Dessa forma iremos propor-lhes a naturalização e poderemos ampliar o nosso campo de recrutamento.»

Nos dois últimos jogos oficiais, frente a El Salvador na qualificação para o Mundial de 2010, Anguilla já contou com alguns jogadores que actuam nos escalões inferiores de Inglaterra. Todos eles filhos de indivíduos naturais desta ilha paradisíaca.

«Esta é a única forma que temos para vencer alguns jogos e, quem sabe, começar a disputar de igual para igual o apuramento para as grandes competições de selecções. O campeonato nacional de Anguilla é muito fraco. Temos só sete equipas e nenhuma apresenta um nível minimamente interessante. Há dois ou três atletas com qualidade para jogar na selecção, mas os restantes começarão a ser todos oriundos de Inglaterra.»

Duas pérolas a reluzir em Londres

19 jogos, duas vitórias, um empate e 16 derrotas. 21 golos marcados e 102 sofridos! O histórico da selecção de futebol de Anguilla envergonha o próprio Raymond Guishard. Curiosamente, os dois únicos triunfos foram obtidos com o mesmo score: 4-1. As vítimas foram a débil selecção de Montserrat (8 de Fevereiro de 2001) e a não menos anémica equipa das Ilhas Virgens Britânicas (29 de Junho de 2003) que teve como Director Técnico em 2000, imagine-se, André Villas Boas!

Mas voltemos a Anguilla. «Queremos vencer muitos mais!», dispara convicto o presidente da federação, confrontado com estes resultados. «Não é fácil competir quando temos uma população de 14 mil habitantes e pouco mais de 100 futebolistas. Mas temos protocolos com universidades inglesas e vamos enviar alguns jovens aqui de Anguilla para lá com bolsas universitárias. Vão estudar e jogar futebol.»

Os dois primeiros beneficiados com esta política da FFA são Akemel Rogers e Kevois Lake. Os dois adolescentes partiram no final de Outubro para a Uxbridge College (Londres). Dentro em breve, Raymond Guishard espera vê-los a brilhar com a camisola da selecção principal de Anguilla.

«São os nossos dois jovens mais talentosos. Duas pérolas!»

Dois pesadelos na vida de um presidente

O pior pesadelo de Raymond Guishard não é a derrota. Ou antes, não é a simples derrota. O que assusta verdadeiramente o presidente da FFA é a humilhação. Como no dia 16 de Abril de 1998, quando Anguilla sofreu 14 golos da selecção de Guyana.

«Foi um dia terrível, terrível», desabafa Guishard que reviveu muito recentemente a mesma tormenta. «Em Fevereiro de 2008 fomos jogar a El Salvador e não nos preparámos convenientemente. Perdemos 12-0! Tivemos pela primeira vez alguns jogadores que actuam em Inglaterra, mas eles chegaram em cima da hora do jogo e nem sabiam os nomes dos colegas. Não há milagres.»

Não há milagres, mas há um projecto. E é com ele que Raymond Guishard quer tirar Anguilla da cauda do ranking da FIFA.

O vídeo dos 12-0 aplicados por El Salvador: