Benfica e FC Porto jogam na sexta-feira o segundo clássico da Liga 2015/16 entre águias e dragões. Na primeira volta, os portistas saíram vitoriosos com um golo de André André a decidir o resultado. O médio internacional português é um dos vetores que se mantém para o encontro desta segunda volta.

Mas há vários fatores deste reencontro que já divergem em relação aos seus correspondentes de setembro de 2015: como a saída de Lopetegui, por exemplo, ou as mudanças no meio campo benfiquista. Descubra sete diferenças que irão verificar-se entre os clássicos a opor águias e dragões – o que já se jogou e o que vai jogar-se.

Classificações opostas

A ordem da classificação estava, por assim dizer, invertida na véspera do clássico da primeira volta, com contornos semelhantes – e sem ser paradoxal –, pois voltam a defrontar-se primeiro e terceiro da tabela.

Explicando, os dois primeiros classificados tinham os mesmos pontos. O segundo, como agora, era o Sporting. Mas à cabeça da tabela estava o FC Porto, com dez pontos conseguidos fruto de três vitórias e um empate em quatro jogos.

O Benfica era o terceiro colocado com três vitórias e uma derrota.

Atualmente, a situação inverte-se entre águias e dragões. Os encarnados estão no primeiro lugar com os mesmos pontos do Sporting e são os portistas que estão no terceiro posto, mas a uma diferença mais significativa: enquanto na primeira volta o Benfica estava apenas a um ponto da liderança, o FC Porto encontra-se agora a seis.

É óbvio que nesta altura a classificação resulta do somatório das 21 jornadas – como também acontecia à quarta ronda, claro –, mas, numa comparação particular entre os quatro primeiros jogos de cada volta, vê-se que as águias também aqui melhoraram: nos quatro primeiros jogos da segunda volta, o Benfica fez os 12 pontos possíveis; o FC Porto fez apenas seis.

Momentos contrários

O Benfica entra no clássico não só vindo destas quatro vitórias consecutivas, mas na sequência de uma série de oitos partidas seguidas a ganhar – que se sucederam ao empate com o U. Madeira em jogo em atraso da 7ª jornada realizado apenas antes da ronda 14.

Os encarnados, em ambas as voltas, antecederam o jogo com os portistas com duas goleadas ao Belenenses. Na quarta jornada, as águias ganharam 6-0 na Luz; na passada sexta-feira foram ao Restelo vencer 5-0.

Já o FC Porto recebeu o Benfica no Dragão depois de ter vencido 3-1 em Arouca. Mas, agora, volta reencontra os encarnados depois de ter perdido com a equipa de Lito Vidigal – na primeira derrota de José Peseiro para a Liga em três jogos pelos dragões no campeonato.

Lopetegui saiu e entrou Peseiro

Uma das diferenças evidentes no FC Porto é que o primeiro clássico com o Benfica para o campeonato teve Julen Lopetegui no banco portista; o jogo da segunda volta terá José Peseiro.

O treinador espanhol passou pela primeira derrota na Liga, em Alvalade, na ronda 15, que fez com que o Sporting recuperasse a liderança do campeonato que tinha sido perdida para os dragões na jornada anterior.

Na jornada seguinte, o FC Porto empatou em casa com o Rio Ave e Lopetegui já não voltou depois de um ciclo de três jogos seguidos sem uma vitória (que começou com a derrota no Dragão frente ao Marítimo, por 3-1).

A 7 de fevereiro ficou confirmada a saída de Lopetegui do FC Porto. Três dias depois, no Bessa, Rui Barros orientou interinamente a equipa portista no regresso aos triunfos. O apuramento para as meias-finais da Taça de Portugal, uma derrota em Guimarães e a eliminação da Taça da Liga antecederam a estreia de José Peseiro como treinador dos dragões dia 24 de janeiro.

Peseiro estreou-se com um triunfo sobre o Marítimo para a Liga. Depois de (sair da Taça da Liga com a terceira derrota portista, de) ganhar no Estoril e de vencer a 1ª mão das meias-finais da Taça, a equipa orientada pelo treinador português também já foi batida no campeonato, como aconteceu no domingo – passando por todas as provas, o FC Porto de Peseiro nunca empatou.

Imbula já não está, Danilo conquistou o (seu) espaço

Giannelli Imbula começou a época a justificar o rótulo de jogador mais caro de sempre do futebol português com um lugar no onze (sempre muito volúvel) de Julen Lopetegui. Assim foi no clássico entre dragões e águias da 1ª volta. Já não o será na sexta-feira.

O medio francês que custou ao FC Porto muitos milhões no verão passado saiu por mais uns tantos neste inverno. Imbula ainda foi dominando as opções para o setor à frente da defesa mesmo sem nunca convencer na relação inevitavelmente feita entre o seu custo e o seu rendimento – o seu futebol nunca encheu o olho.

A derrota do FC Porto em casa com o Dínamo Kiev foi para a Liga dos Campeões, mas o jogo serve de baliza cronológica como referência para o início do desaparecimento de Imbula da equipa: o que inclui os jogos na Liga jogado que ficou o primeiro quarto.

Pelo contrário, Danilo Pereira foi conquistando um espaço que sempre teve – jogou em todos os jogos do campeonato –, mas foi também alargando até este segundo clássico entre FC Porto e Benfica os seus domínios. No presente, a zona à frente dos centrais (perto dos quais muitas vezes de coloca) é sua permitindo libertar mais os jogadores ofensivos nas fases de construção.

Brahimi é um dos exemplos das mudanças no ataque do FC Porto de Peseiro fletindo (numa movimentação oposta à da era Lopetegui) muitas vezes da ala para o interior (mais despovoado) e deixando muitas vezes aos laterais (a Layún, por excelência) o corredor inteiro para explorar.

As lesões na Luz

Luisão é o grande ausente do Benfica no clássico de sexta-feira em comparação com o jogo da primeira volta no que respeita às lesões que afetaram o plantel encarnado ao longo do campeonato já jogado.

Nelson Semedo foi titular no Dragão, lesionou-se e já está recuperado, mas o seu lugar na lateral direita foi ganho por André Almeida na sua ausência e Rui Vitória não parece ter mudado de ideias quanto à atual primeira opção para o lugar.

Semedo voltou a estar disponível no final de janeiro, mas ainda não voltou a fazer qualquer minuto pelo Benfica na Liga, depois de ser totalista nas seis primeiras jornadas do campeonato até se lesionar ao serviço da seleção nacional.

No caso do FC Porto, Maicon é o jogador a poder falhar a repetição deste clássico nesta Liga devido a uma lesão.

Guedes eclipsou-se, ganhou-se Pizzi e apareceu Sanches

Gonçalo Guedes foi a segunda coqueluche do clube da Luz a afirmar-se na equipa depois de Nelson Semedo ser aposta desde a primeira jornada da Liga. Guedes demorou pouco a afirmar-se na equipa titular e, por altura do clássico da primeira volta, era um dos indiscutíveis da equipa de Rui Vitória.

A ausência de Salvio foi bem aproveitada pelo extremo português que dava profundidade ao ataque encarnado até à zona de finalização, com Guedes a traduzir a sua importância com vários golos.

Mas o meio-campo benfiquista demorou a assentar nas opções que Rui Vitória foi tendo ao longo do campeonato – numa alternância que existiu entre Samaris ou Fejsa ou na aposta em Talisca, por exemplo, num setor por onde também andou colocado André Almeida.

A lesão de Nelson Semedo resolveu essa questão das opções no meio-campo por um lado. André Almeida – que jogou à frente da defesa no Dragão – foi o ocupante da vaga aberta pela lesão do companheiro de equipa e agarrou o lugar na lateral direita até ao presente.

Entre as opções experimentadas por Rui Vitória, o primeiro a ganhar terreno de forma consistente foi Pizzi, curiosamente a partir da altura da eliminação do Benfica da Taça de Portugal. Não só o médio foi ganhando o espaço a Gonçalo Guedes com golos (seis) e assistências (cinco), como Vitória encontrou mais soluções.

As opções foram ficando consolidadas com o aparecimento em cena de Renato Sanches ainda por alturas da décima jornada. A eficácia nas transições e no transporte da bola para o ataque dão-lhe uma titularidade inquestionável nesta altura, a par de Pizzi. Serão duas entradas em relação à primeira volta num setor que viu sair Gonçalo Gudes e recuar André Almeida.

Jonas mantém média, Aboubakar não

Aboubakar tinha quatro golos nas quatro primeiras jornadas da Liga fazendo uma média de um golo por jogo. Jonas tinha cinco golos nos quatro primeiros jogos do campeonato, para uma média de 1,25 golos por jogo.

O brasileiro do Benfica continuou a disparar em direção às balizas adversárias e tem nesta altura 23 golos em 21 partidas, numa média assinalável de 1,10 golos por jogo.

Já o camaronês do FC Porto apenas fez mais seis golos nos 16 jogos seguintes em que participou. Com um total de 10 golos em 20 jogos do campeonato, a média de Aboubakar está atualmente no meio golo (0,50 de concretização) por jogo.