Desta vez, o que já tinha acontecido com outros, caiu numa receção aparentemente fácil de Maxi Pereira, aos 69 minutos. Uma receção orientada para a corrida de Diogo Viana, que, de forma insolente, arriscou no túnel feito pelas pernas de Artur. Estava-se na segunda parte. Para trás, tinham ficado as perdidas de Lima e Rodrigo, que só por si bastariam para outro resultado. Markovic apontaria o caminho e, na última «vida» que teve, Lima atirou para a vitória.

Salvio foi novidade no onze, mas percebeu-se que o argentino ainda não estava bem. Deu o seu lugar a Markovic e o sérvio sim apresentou-se bem melhor e completamente recuperado, com duas ou três jogadas que confirmaram uma vez mais o seu talento e o golo do empate, pincelado de classe. Se não tinham feito muito sentido as outras duas substituições de Jesus - Gaitán e Rodrigo por Djuricic e Sulejmani -, que quebraram o ritmo a uma equipa que estava de novo a carburar com Markovic, estas garantiriam depois aos encarnados o último fôlego no encontro, com as assistências dos dois sérvios.

O Benfica, ao contrário do que esperava, não entrou «a matar». E esperava-se porque entre uma derrota na estreia, nos Barreiros, e a visita a Alvalade, na próxima ronda, havia talvez que resolver depressa e arrumar de vez com a perspetiva de mais um jogo a terminar com índices de ansiedade elevados. Havia ainda que convencer. Uma manifestação de força, perante a conjuntura do futebol encarnados, era expectável e exigível.

Não foi o que aconteceu. Não se pode dizer que isso tenha sido por culpa do Gil Vicente. Os minhotos não criaram problemas elevados a atacar e mesmo a defender era possível encontrar desequilíbrios com relativa facilidade na malha defensiva montada por João de Deus. Mas, aquele esforço final, não valerá alguma coisa? Os adeptos sentiram-no cá de cima.

Depois de uma meia-hora com pouco Benfica - mas já com uma grande chance de golo, no livre direto de Gaitán ao poste -, os encarnados soltaram-se e só nesses últimos 15 minutos da primeira parte criaram oportunidades para justificar a vantagem. A culpa, se temos de encontrar réus, esteve na pouca pontaria de Lima e Rodrigo, mas sobretudo do primeiro, que desperdiçou, com a cabeça e com o seu pé direito, algumas jogadas muito bem trabalhadas pela ala que melhor funcionou, a esquerda. Cortez terá realizado a melhor exibição desde que chegou à Luz, Gaitán, compreensivo, deixou que fosse o brasileiro a chegar à linha final e procurou ele apanhar as costas dos defesas rivais com cruzamentos mais largos, ainda antes da grande área.

Os dois remates que o Gil Vicente fez à baliza foram praticamente inofensivos, o que também possibilitou que o Benfica crescesse. Quando parecia ter encostado o rival às cordas soou o gongo para o intervalo.

Na segunda parte, duas oportunidades, por Lima (52) e Rodrigo (55), marcaram uma era pré-Markovic. Com o sérvio em campo, se bem que a espaços devido ao arrefecimento provocado pelo golo de Viana, o Benfica voltou a encontrar os caminhos para a baliza de Adriano.

O filme seria mais ou menos este. Markovic, Luisão ao lado. Markovic, Adriano defende para a frente, Maxi leva muito tempo a finalizar. Markovic, diagonal para dentro e remate açucarado, com a bola a passar perto do poste. Aos 90, Djuricic a levar a bola e a passar ao sérvio, que remata para as redes perante Adriano. E depois o sufoco, com a fé a voltar, Sulejmani a cruzar e Lima a redimir-se perante as redes rivais.