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Beira Mar-Benfica, 1-3 (crónica)

A felicidade ainda mora no pé esquerdo de Cardozo

Por Pedro Jorge da Cunha2010-11-28 20:12h
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As saudades já apertavam e Cardozo resolveu aparecer. Dois golos e uma assistência do paraguaio ajudaram o Benfica a esquecer por uma noite todos os seus problemas. Nem tudo foi perfeito em Aveiro, longe disso, mas o essencial foi alcançado: vitória justa, redução para oito pontos na distância até ao F.C. Porto e reconquista do crédito que parecia ter sido irremediavelmente perdido em Israel.

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Impõe-se agora uma definição na gestão da equipa. Jorge Jesus tem de perceber quem está e quem não está dentro da nau encarnada. Porquê esta urgência? Simples. Basta olhar com atenção o comportamento sem bola de cada uma das unidades do Benfica. Dessa forma se chega à preocupante constatação de que nem todos estão dispostos a sofrer, que nem todos se predispõem a suportar o clima actual.

É aqui que introduzimos o nome de David Luiz. Quem o conhece, quem o viu jogar nas épocas anteriores, não pode deixar de ficar chocado com a postura que actualmente tem. Mau tempo de entrada à bola, mãos caídas sobre o corpo, descontracção absurda em tempos de instabilidade. O que era classe é passividade, o que era glamour é pura propaganda enganosa.

Este Benfica precisa de David Luiz para se reerguer. Mas do verdadeiro, não deste sósia.

Os Destaques: Cardozo à frente de todos

Numa noite de vitória justa parece absurda a crítica a um atleta. Não é, até porque a história do jogo não é tão simples como o 1-3 pode deixar entender. O primeiro golo surgiu de grande penalidade (no mínimo duvidosa) em cima do intervalo, o segundo e o terceiro deram de si num período em que o perigo rondava as duas balizas.

Até essa almofada confortável, o Benfica teve a cabeça muitas vezes a latejar. O Beira-Mar, venenoso na exploração dos contra-ataques, viu um remate de Ronny a chocar com o poste direito de Roberto e o brasileiro a falhar na cara do espanhol um cabeceamento facílimo. Tudo isso surgiu no melhor período dos aveirenses, entre o tempo de descanso e o segundo golo do Benfica.

Nesta fase de indefinição, quando não se sabia para onde cairia o triunfo, o Benfica sofreu a bom sofrer. E não foi só David Luiz a tremer. Luisão pareceu mais pesado do que nunca, Coentrão perdeu alguma da sua carga eléctrica, Javi Garcia fez de corpo dormente entre a defesa e o meio-campo.

Ao Benfica valeu a noite inspirada de Cardozo, bem acompanhado por Javier Saviola e Carlos Martins.

FICHA DE JOGO

Puxando a fita ainda mais atrás, foi precisamente o avançado argentino a mostrar que não merece ser substituído todos os jogos. Aos 14 minutos rematou com estrondo à barra e logo depois viu um cabeceamento de Luisão ser parado pela mão marota de Pedro Moreira. Grande penalidade por marcar a favor do Benfica.

Mais tarde, a noite viria a ser de Oscar Cardozo. Mesmo numa condição física longe da ideal, o ponta-de-lança decidiu um duelo que parecia condenado ao equilíbrio até final. O seu segundo golo, num remate em arco à entrada da área, merece ser visto e revisto.

Ainda intranquilo, ainda marcado por feridas recentes, o Benfica voltou a ter períodos convincente e a ganhar. Este pode ser o primeiro passo no regresso a uma história que já foi feliz.

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