A primeira parte deve ter deixado o técnico encarnado com os cabelos em pé, tantas foram as insuficiências evidenciadas pela sua equipa, principalmente na transição entre sectores, com muitos passes falhados e uma notória falta de entrosamento sempre que foi necessário fazer compensações. A defesa tremeu perante as «diabruras» de Liedson, o meio-campo raramente conseguiu trocar duas bolas consecutivas e o ataque, com Miccoli e Mantorras, raramente teve bola. Perigo só de bola parada, quase sempre a sair dos pés de Rui Costa, mas a magia do número dez não permite mascarar tudo.
O Sporting, apesar de ter começado a pré-temporada mais tarde, revelou ser uma equipa bem mais madura, conseguindo relegar para segundo plano o atraso na preparação física, com uma pressão constante sobre a bola e tirando máximo proveito da boa técnica de alguns dos seus jogadores, com destaque para Ronny, o melhor «reforço» em campo, deixando, com um bom apoio de João Moutinho, um rasto de brilho na ala esquerda do Sporting. Os leões jogaram mais tempo no campo adversário mas, verdade seja dita, Moreira raramente foi incomodado.
O golo solitário da primeira metade resultou de um erro do menos suspeito de todos os jogadores encarnados. Rui Costa atrapalhou-se em zona proibida a controlar uma bola e Romagnoli soltou-a rápido para a direita onde surgiu Yannick Djaló a rematar cruzado e certeiro. O Benfica já tinha colocado Tiago à prova em dois livres marcados por Rui Costa e quase fez o empate, já nós descontos, com mais um pontapé do número dez a proporcionar um desvio de cabeça de Anderson.
Para a segunda parte, os treinadores revelaram-se comedidos nas alterações, embora Fernando Santos tenha mexido em todos os sectores, com quatro alterações, enquanto Paulo Bento limitou-se a trocar os laterais. Mesmo com o reforço de três mundialistas, o Benfica continuou a perder muitas bolas e agora, perante um leão talhado para o contra-ataque, os custos subiram em flecha. Numa jogada de insistência, Liedson destacou-se na esquerda e encontrou Yannick Djaló na área. O jovem avançado ainda caiu, pressionado por Luisão, mas teve tempo para de se levantar e, com os encarnados a ver, voltar a bater Moreira.
O Benfica cedeu então definitivamente à emoção e voltou a sofrer depois de mais uma perda de bola. Katsouranis precipitou-se na ânsia de recuperá-la a Carlos Martins e, de forma caprichosa, bateu Moreira com um chapéu descabido. Liedson, que já tinha feito a cabeça em água a Anderson e Katsouranis, envolveu-se também numa picardia com Petit, mas Paulo Bento, com maior margem de manobra, substituiu-o a tempo de evitar males maiores. O jogo acabou com os encarnados de coração na mão e os leões, bem mais frescos e serenos, a trocar a bola ao som de «olés».
FICHA DO JOGO
Estádio Municipal de Vila Real
de Santo António
Assistência: 10 mil espectadores
Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal)
Assistentes: Venâncio
Tomé e Hernâni Fernandes
4º árbitro: Martins Albino
BENFICA (4x4x2): Moreira; Alcides (Nelson, 46m), Anderson
(Luisão, 46m), Ricardo Rocha e Léo; Nuno Assis (Petit, 46m), Katsouranis (Diego, 74m), Rui Costa e Karagounis (Paulo Jorge,
70m); Miccoli (Marcel, 70m)e Mantorras (Nuno Gomes, 46m).
Treinador: Fernando Santos.
SPORTING (4x1x3x2):
Tiago; Miguel Garcia (Abel, 46m), Tonel, Polga e Ronny (Tello, 46m); Custódio; Carlos Martins (Paredes, 65m), Romagnoli (Nani,
59m)e João Moutinho (João Alves, 77m); Djaló (Douala, 73m) e Liedson (Deivid, 73m).
Treinador: Paulo Bento.
Ao
intervalo: 0-1.
Marcadores: Yannick (39 e 53m) e Katsouranis (64m, p.b.).
Disciplina: cartão amarelo a Carlos
Martins (31m) e Luisão (68m).
Final: 0-3.Comentar este artigo

