Benfica e Sporting jogaram à bola, jogaram ao ataque, para ganhar, como se espera que aconteça sempre entre estes dois históricos do futebol português; em disputa directa pelo segundo lugar quando começou o jogo e pelo acesso directo à Liga dos Campeões e, na sequência da derrota do líder, legitimamente, a algo mais... No final, aproximação à frente não tanta foi como cada um esperava...
Melhor o Sporting no começo das duas partes. E, sobretudo, a fazer uso da sua arma mais temível: Liedson. Melhor o Benfica a responder ao adversário e a dar a volta quando teve de travar uma superioridade que parecia ir-se instalando para ficar.
Começou muito bem o Sporting e marcou e nem a resposta de Petit (isto com 5 minutos) travou este ascendente. O segundo tempo começou da mesma forma, apesar da ausência de golos. A melhor organização doe leões voltou a mandar, até o Benfica dar a mesma resposta do tempo inicial: com o «factor Miccoli».
Essa resposta chegou em forma de golo na primeira parte. E a partir daí tudo mudou até ao apito para o intervalo. O Sporting acusou a igualdade e os encarnados tomaram conta das operações. No segundo tempo, mesmo sem golos, ao melhor início forasteiro, respondeu o italiano da equipa da casa obrigando Ricardo a uma grande defesa e voltando a dar ao Benfica o ânimo que já se tinha visto, que parecia (de novo) mitigado pelo Sporting e que foi recuperado.
Mas, desta vez, a reacção do Benfica não tomou conta do jogo até ao final. O domínio ficou mais repartido e como que mais consentido pelas duas equipas. Ou seja, à medida que os minutos iam passando, os dois treinadores sabiam que as apostas tinham de ser assumidas mais com trunfos «sacados« do banco para conseguir algum «golpe de asa« do que com riscos tácticos.
Vários foram os jogadores que foram acusando algum cansaço (Romagnoli «estoirou» e Petit teve de andar a fazer alongamentos em campo com a bola a ser jogada à sua volta, por exemplo) e a disposição atacante que resultou de uma atitude ganhadora de ambos os lados foi preterida quando passou a ser mais importante não perder o que já se tinha ganho do que conseguir algo mais.
Não é que quer Benfica quer Sporting tenham deixado de querer vencer o jogo. Não foi isso: Mas duelos como os de Rui Costa e Miguel Veloso ou os de Petit e Romagnoli deixaram de fazer sentido a partir dos 20 minutos da segunda parte, quando se fizeram as primeira alterações. A aposta passou a ser feita apenas no último terço do terreno. As equipas ficaram mais partidas, as defesas já não jogavam tão subidas, o apoio aos ataques por meios-campos que não faziam essa ligação foi ficando reduzida.
O jogo acabou até, inevitavelmente, por perder uma grande qualidade que chegou a ter. E cada vez foi tendo menos. O medo de perder por sofrer um golo à beira do fim retirou a inspiração para o futebol que se viu durante largos minutos em detrimento da racionalidade a que o cronómetro obrigou.
Ninguém na Luz ficou sem esperança de que mais um golo pudesse acontecer, mas as hipóteses foram diminuindo com as sequências de passes falhados e perdas de bola a aumentarem a ausência da iminência do golo. Que podia ter acontecido, mas, em final de jogo, de forma mais fortuita do que muitas vezes foi prometido durante mais de uma hora de jogo.
Mas não aconteceu. E como o Benfica continuou invicto em casa, assim invicto fora se manteve
também o Sporting - ambos sem o F.C. Porto (tão) mais perto como desejariam. E a selar a triste sina de quem esperava mais
golos e não os teve, acabou por ser Ricardo a terminar a partida da pior forma e ter de sair de maca quando já nenhum outro
jogador estava no relvado.
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