Não houve surpresa em Berlim: ultrafavorito para as casas de apostas e para a generalidade dos observadores, o Barcelona confirmou esse estatuto e conquistou a quinta coroa continental da sua história, batendo a Juventus por 3-1. Pelo caminho ficou uma vecchia signora valorosa e combativa, que sobreviveu a uma primeira parte difícil, mostrou personalidade forte no segundo tempo, e só se rendeu no último minuto de descontos, quando Neymar culminou um daqueles contra-ataques só possíveis quando uma equipa, desesperada, já não se preocupa com a organização defensiva.

O título do Barcelona não sofre contestação, mesmo numa noite em que Messi não teve a influência das suas melhores partidas. A tripleta assinada pela equipa de Luis Enrique confirma-a, legitimamente, como a melhor da Europa na época em curso mas faz mais do que isso, já que sendo o quarto título continental desde 2006 mantém os catalães como os maiores dominadores do panorama internacional nos últimos dez anos. Algo que parecia no mínimo duvidoso neste início de época.

Em Berlim, num palco que já tinha consagrado Buffon e Pirlo em 2006, a Juventus teve um início a todo o gás, que nos primeiros três minutos pareceu pôr o Barcelona em respeito. Mas a magia blaugrana tem destas coisas: na primeira posse de bola consistente, uma troca de 17 passes permitiu a Messi fazer a rutura pela esquerda. Alba combinou com Neymar, este lançou Iniesta e, aproveitando a passividade de Pogba e Pirlo, Rakitic apareceu para concluir. Ainda não tinham decorrido quatro minutos e a final parecia bem encaminhada para o lado dos favoritos.

O golo do croata, que há um ano tinha conquistado a Liga Europa pelo Sevilha, diante do Benfica, deu asas ao Barcelona que, aproveitando o dinamismo de Neymar na esquerda, teve várias ocasiões para aumentar a vantagem. Na ocasião, o talento de Buffon ajudou a manter a vecchia signora na corrida e, com a intensidade a baixar a partir dos 25 minutos, a Juventus voltou a encontrar o fôlego. As transições rápidas de Pogba e a generosidade de Morata, a segurar a bola na frente, mantinham a equipa italiana na luta, mesmo depois de 45 minutos controlados pelo Barça, que chegava ao intervalo com o dobro dos remates (8-4) e de posse de bola (67/33%).

O início do segundo tempo foi a inversão do primeiro: o Barcelona surgiu a todo o gás e os primeiros slaloms de Messi deixaram o 2-0 à vista. Mas foi na fase mais confiante dos catalães que um erro de Dani Alves permitiu a Lichtsteiner e Marchisio uma boa combinação na direita. O remate à meia volta de Tevez foi defendido para a frente, por Ter Stegen, e Morata concluiu o seu grand slam pessoal, marcando pelo terceiro jogo consecutivo, depois de ter sido carrasco do Real madrid nas meias-finais (55 minutos).

Este golo perturbou o Barcelona e embalou a Juventus para a sua melhor fase. Mas esse entusiasmo acabou por deixar a equipa desequilibrada, depois de duas situações em que Ter Stegen se assustou a sério. Aos 68 minutos, na sequência de um lancde em que Pogba ficou a reclamar penalti na área, Rakitic lançou Messi, que conduziu a bola até à entrada da área, para um remate seco. Buffon, que tinha sido decisivo até aí, só conseguiu uma defesa incompleta, que permitiu a Surez a recarga vitoriosa (68 minutos).

Faltavam cerca de 25 minutos para o final, mas este golo obrigou a Juventus a desequilibrar-se ainda mais, abrindo espaços para a saída em contra-ataque de um Barcelona cada vez mais seguro com o passar dos minutos. Foi já com Xavi em campo, numa despedida histórica para o médio - que deixa o seu clube de sempre com a marca recorde de 151 jogos e quatro títulos na Liga dos Campeões – que o Barcelona aguentou o impacto da pressão italiana, para sentenciar o jogo no período de descontos, com Neymar – brilhante nesta final – a finalizar um contra-ataque que apanhou a Juventus instalada no meio-campo adversário, já sem pernas para a compensação.

Um desnível porventura demasiado acentuado para a realidade do jogo, mas que não desmente a convicção de que o Barcelona voltou a ser um justíssimo campeão europeu, pela quinta vez, igualando as marcas de Bayern Munique e Liverpool. Só Milan (sete) e Real Madrid (dez) têm mais, mas com nomes como Messi, Iniesta e Neymar a funcionarem em pleno, é legítimo acreditar que a aproximação prossiga nos próximos anos.