Não surpreende, por isso, que este triunfo do Dínamo Kiev em pleno Dragão tenha causado tanta mossa na moral azul e branca. É verdade que as consequências ainda não são definitivas e uma vitória em Londres pode limpar esta noite da memória.

Mas os dados históricos são preocupantes e o FC Porto arruinou um cenário que lhe era fortemente favorável.

Na era-Julen Lopetegui, curiosamente, todas as seis derrotas sofridas tiveram uma relevância grande nos objetivos da equipa: três ditaram o afastamento direto de competições, duas comprometeram fortemente a luta pelo campeonato anterior e uma, esta última, deixa o FC Porto em posição difícil na Champions.

Julen Lopetegui tem nesta altura 67 jogos oficiais como treinador do FC Porto. Totaliza 47 vitórias, 14 empates e 6 derrotas, com 142 golos marcados e 41 sofridos.  

Os números até seriam simpáticos se as derrotas não fossem tão contundentes e relevantes.

O Maisfutebol recorda esses seis jogos, recupera a consequência de cada insucesso e a forma como Julen Lopetegui reagiu a cada um deles.

AS SEIS DERROTAS DO FC PORTO COM LOPETEGUI:

18/10/2014: Sporting (c), 1-3, Taça de Portugal

. Estreia na Taça e derrota imediata às mãos de um eterno rival. A jogar no Dragão. Julen Lopetegui muda meia equipa – jogam Andrés Fernández, Marcano, José Ángel, Quintero e Adrián – e a derrota acaba por ser indiscutível. Jackson Martinez ainda responde ao golo do Sporting (autogolo de Marcano, 31 minutos), mas Nani e Carrillo abrem uma ferida insuportável nos azuis e brancos. O FC Porto falhou um penálti (Jackson) com o resultado em 1-2.

Consequência: dragões afastados de um dos objetivos da época

Reação de Lopetegui:

«Falhámos muitos golos e uma grande penalidade. Isso fez a diferença. Os golos que sofremos foram mais demérito nosso do que mérito deles. Temos de continuar nas outras competições mais importantes».

«Temos que acertar mais e errar menos. Assumimos alguns erros, em lances que permitiram ao adversário marcar. Não considero que o Sporting tenha sido superior em termos de futebol. Mas insisto: temos que acertar mais e errar menos. Errámos em momentos decisivos».

 

Lima arrasou o FC Porto no Dragão

14/12/2014: Benfica (c), 0-2, Campeonato

. Nove anos depois, as águias voltam a triunfar no Dragão. Jogo de tremenda eficácia da equipa então treinada por Jorge Jesus, dois golos de Lima, FC Porto a colocar-se numa situação muito desconfortável na luta pelo título. Meia hora inicial de muito e bom futebol não foi suficiente para a equipa de Lopetegui amedrontar o visitante. Dois meses depois, o FC Porto voltava a perde rem casa contra um dos rivais. Esclarecedor.

Consequência: FC Porto podia igualar Benfica na frente, com a derrota ficou seis pontos atrás.  

Reação de Lopetegui:

«Creio que merecíamos um resultado muito diferente. O futebol é o único desporto onde se pode perder mesmo sendo muito superior. Foi o que aconteceu hoje».

«Tivemos azar e a partir daí não há muito mais a dizer. Fizemos muitas coisas bem, apesar da derrota. Mantivemos a compostura até final, tive a sensação de que, se marcássemos um golo, íamos empatar.»

«O futebol foi injusto. O FC Porto foi superior. Tivemos muitas oportunidades. Corremos muitos riscos. Marcaram de lançamento lateral, o que é válido, claro. Ser superior não vale pontos. Estamos tristes pelos adeptos. Peço-lhes desculpa, mas se analisarmos o jogo creio que fomos muito, muito superiores ao Benfica».

 

25/01/2015: Marítimo (f), 1-0, Campeonato

. Maldição dos Barreiros, episódio 1. Marítimo organizado e coeso, FC Porto apático, lento e a desperdiçar oportunidades de golo em catadupa. Bruno Gallo, ainda no primeiro tempo, resolve a partida com um remate de primeira, dentro da área azul e branca. O Marítimo acaba reduzido a dez unidades – expulsão de Raul Silva – mas nem assim a equipa de Julen Lopetegui aproveita. No dia a seguir, o Benfica perde em casa do Paços de Ferreira e atenua os níveis de frustração.

Consequência: FC Porto desaproveita derrota do Benfica na Mata Real e continua a seis pontos das águias.

Reação de Lopetegui:

«Fizemos 24 remates à baliza e não conseguimos marcar, por isso faltou-nos eficácia. Tivemos oportunidades suficientes para conseguir ganhar o jogo. Temos três pontos a menos do que queríamos, mas é assim o futebol: quem marca golos é que sai beneficiado. Mas houve um penálti que não foi visto pelo árbitro».

«Não atiramos a toalha ao chão. Aconteça o que acontecer em Paços de Ferreira, não acabou absolutamente nada».

02/04/2015: Marítimo (f), 2-1, Taça da Liga

. Maldição dos Barreiros, episódio 2: muitas alterações no onze inicial ajudam a explicar, em parte, a eliminação da Taça da Liga. O golo de Evandro coloca o FC Porto na frente, mas tudo o que surge depois é demasiado mau. Bruno Gallo empata de penálti, aos 37 minutos, e Moussa Marega faz o 2-1 ainda antes do intervalo. Muito coração e pouca cabeça no segundo tempo não ajudam o FC Porto a chegar sequer ao empate.   

Consequência: eliminação nas meias-finais da Taça da Liga.

Reação de Lopetegui:

«Devíamos ter feito algo mais, o 2-2 esteve perto, mas não conseguimos...»

«Sofremos dois golos, um num penálti que o árbitro viu. Se marcou é porque viu, mas não era... O segundo golo foi de um ressalto, esse sim, devíamos ter evitado»

«São partidas de detalhes e perdemos o acesso à final. Há que ganhar este tipo de jogos estando atento a todo o tipo de detalhes. Não conseguimos marcar um segundo golo.»

 

A terrível noite de Munique

21/04/2015: Bayern Munique (f), 6-1, Liga dos Campeões

. O FC Porto entra em Munique com uma vantagem de dois golos, após extraordinária vitória no Dragão. No entanto, os dragões não chegam a alimentar a dúvida na cabeça dos alemães. Aos 27 minutos já está 3-0, aos 36 chega o quarto e aos 40 o quinto. A aposta em Diego Reyes para lateral direito – Danilo suspenso – é mais do que discutível, mas não explica tudo. Verdadeira hecatombe.

Consequência: eliminação nos quartos de final da Liga dos Campeões

Reação de Lopetegui:

«O Bayern fez grande primeira parte, castigou-nos. Resolveu a eliminatória nessa fase. Atacámos mal a partida, o Bayern é muito, muito forte, tanto individual como coletivamente. Com uma equipa como o Bayern, se não tens bola é complicado. Na segunda parte tudo foi diferente, estivemos melhor, trocámos mais a bola...»

«Parabéns ao Bayern, mereceu passar. A Champions é assim... Fizemos campanha espetacular, em 12 jogos só perdemos um...»

24/11/2015: Dínamo Kiev (c), 0-2, Liga dos Campeões

. Dragões chegam a este jogo a precisar de um ponto para garantir a qualificação para os oitavos de final da mais importante prova europeia de clubes. Tudo corre mal. Imbula comete penálti ingénuo – e escusado – sobre Garmash no primeiro tempo, golo de Yarmolenko. Na segunda parte, Derlis Gonzalez sentencia a primeira derrota do FC Porto 2015/16, com um remate forte na esquerda e a inesperada colaboração de Iker Casillas. O guarda-redes até estava a ser o melhor do FC Porto.

Consequência: FC Porto obrigado a ganhar em Londres para seguir na Champions

Reação de Lopetegui:

«Não estivemos bem e o jogo castigou-nos. Houve momentos em que podíamos ter entrado no na discussão, mas também não houve sorte. Dentro do mau jogo que fizemos, tivemos o penálti, um segundo golo estranho, duas bolas nos ferros…»

«Até reentrámos bem, no segundo tempo, e houve um um penálti sobre o André. Mas faltou-nos lucidez. Começámos a precipitar-nos e eles ficaram tranquilos. Nessa fase final atacámos mal».