O agora treinador do Vilankulo foi o primeiro moçambicano a jogar em Portugal depois da independência do país: veio em 87 e ficou por cá dez anos. «Deixei raízes. Tenho aí muitos amigos e os meus filhos ficaram em Portugal. Mas agora só volto para matar saudades e rever as pessoas», confessa.

Chiquinho renovou por 10 anos, para ser como Ferguson

O Sporting, adianta, continua a ser o clube que mais lhe faz bater o coração. Por estes dias anda aliás mais feliz. «Amo o Sporting. É o meu clube desde criança e o clube que tive a felicidade de representar. Continuo a acompanhar diariamente as notícias do clube e a torcer pelo sucesso da equipa.»

Apesar disso, e quando se lhe pergunta qual a melhor memória de Portugal, Chiquinho diz que se veste de azul. «A conquista da Taça de Portugal em 89 frente ao Benfica», atira, lembrando a estreia no Belenenses. «Eliminámos o F.C. Porto, o Sporting e vencemos o Benfica na final. Foi perfeito.»

O antigo avançado regressa à cultura portuguesa para fazer uma comparação feliz: se Marco Paulo tem dois amores, ele tem três. «O Belenenses, que foi o clube que me abriu as portas de Portugal. O V. Setúbal, onde fui tremendamente feliz e me senti muito bem. E o Sporting, que é o meu clube.»

Chiquinho Conde gostava aliás de regressar a Portugal um dia. Mas diz que não é fácil. «Depois que terminei a carreira, tirei o curso de treinador em Portugal. Fiz o quarto nível completo. Mas não apareceu nenhum clube e tive de regressar ao meu país. É muito complexo ser treinador em Portugal.»

Por isso adianta que o futuro passa por Moçambique, e pelo projecto de dez anos no Vilunkulo. Projectos tem muitos, adianta: mágoa nenhuma. «Enquanto fui jogador, fui idolatrado. Como treinador não tive a mesma felicidade, e fiz uma opção. Estou entusiasmado com este projecto no Vilakunlo.»