Data de nascimento: 25/05/1953

Posição: defesa

Nacionalidade: argentina

Período de atividade: entre 1973 a 1989

Clubes representados: River Plate, Fiorentina e Inter de Milão

Principais títulos conquistados: Campeão do mundo pela selecção argentina em 1978; Melhor Jogador da Argentina em 1976; Campeão nacional pelo River Plate (Argentina) em 1974/75, 1978/79 e 1980/81; Campeão metropolitano em 1975/75, 1976/77, 1978/79 e 1979/80.

A elegância em campo assemelhava-se à postura esbelta de um maestro, capaz de comandar a mais irreverente das orquestras. Daniel Passarella era um central carismático, com grande sentido de posicionamento, que muitas vezes funcionava como a voz de comando dos colegas. Intransigente a defender, denotava grande facilidade em subir com a bola nos pés, de forma a surpreender o adversário. Ao longo de uma carreira de sucesso marcou 99 golos em 298 jogos da liga argentina, um recorde absoluto para quem jogava numa posição extremamente recuada.

Poucos jogadores no mundo se podem orgulhar de possuir duas qualidades importantes: capacidade técnica e personalidade vincada. Dentro do campo, assumia-se como um líder e depressa ganhou o epíteto de «Grande Capitão» na seleção Argentina, constituindo um dos pilares do título mundial de 1978. As suas palavras funcionavam como conselhos preciosos para os colegas e ninguém ousava contrariar as ideias de Passarella, nome incontestado dentro do campo.

O troféu de campeão do mundo catapultou-lhe fama, mas a camisola do River Plate significava muito. Só depois do mundial de 1982 cumpriu a tradição de conquistar a Europa do futebol e vestiu as cores da Fiorentina até 1986 e mais tarde as do Inter de Milão, nas duas temporadas seguintes. «Foi um dos grandes estrangeiros de sempre na história do clube viola», afirma Antognoni, expoente máximo da equipa de Florença durante as décadas de 70 e 80.

Também no difícil calcio marcava golos, independentemente de já ter ultrapassado a barreira dos 30 anos. Era especialista em livres diretos, marcados de forma sublime, quase sempre em força, sem hipótese de defesa para o guarda-redes mais arrojado. Nos cantos, também fazia a diferença, apesar da estatura relativamente baixa (1,74 metros): a impulsão, o sentido de posicionamento e a força do cabeceamento revelavam-se mortíferos em qualquer circunstância.

Mas as caminhadas mais brilhantes também têm pequenos pontos negros. A fase mais difícil da carreira de Passarella decorreu em 1986, quando a Argentina se sagrou bicampeã mundial. Integrou o grupo de seleccionados que fizeram do México o tecto do planeta em termos de beleza futebolística, mas não fez um único jogo, não alinhou um único minuto, não sentiu nas mãos o peso do troféu. Uma intoxicação alimentar, associada à difícil convivência com o novo líder alvi-celeste, Diego Maradona - fruto de um choque de personalidades que ainda hoje se mantém - impediu-o de integrar a festa azul e branca e de somar o segundo título mundial a um palmarés invejável.