O dérbi. Sporting e Benfica defrontam-se sábado à noite naquele que é o último embate entre grandes até final da época. Paragem obrigatória na rota do título, com os encarnados três pontos acima do FC Porto, parte interessada.

Os dragões recebem o Feirense e, caso cumpram o seu papel, terão sempre algo a retirar do jogo entre os dois rivais.

A vitória do Benfica mantém distâncias na luta pelo título, mas volta a afastar leões, a cinco pontos do segundo lugar. O empate tiraria dois pontos dos três de vantagem aos encarnados, enquanto que o Sporting ficaria também mais longe. A derrota do emblema da águia garantiria liderança, devido da diferença de golos, uma vez que o confronto direto foi anulado no clássico de há algumas jornadas. Mas essas são outras contas.

O que o MAISFUTEBOL se propõe analisar na sua companhia é a comparação entre os dois adversários à luz de diversas variáveis estatísticas, que poderão ajudar a clarificar o que eventualmente se passar no dérbi.

Encarnados apresentam-se como melhor defesa em Alvalade.

Estatísticas coletivas

Melhor defesa e segundo melhor ataque

O Benfica divide o estatuto de melhor defesa com o FC Porto, e tem o segundo ataque mais produtivo da Liga, com menos dois golos marcados do que os portistas. A equipa de Rui Vitória assinou 61 golos (média de 2,1/jogo), já o Sporting conseguiu 58 (2 redondinhos por encontro).

Já na defesa o conjunto de Rui Vitória aparenta estar mais sólido. Consentiu 14 golos (média de 0,48) contra os 27 averbados pelos leões (0,93).

As bolas paradas, a atacar

Menos de um terço. É este o peso das bolas paradas no ataque do Sporting, que conseguiu desta forma 17 dos seus 58 golos (29,31%). Foram oito cantos, cinco penáltis, dois livres indiretos, um direto e outro na sequência de um lançamento lateral.

No Benfica, há uma ligeira maior dependência destas jogadas, com 19 golos apontados em 61 (31,14%): seis cantos, seis livres indiretos, um livre direto, cinco penáltis e um lançamento. Menos cantos e mais livres indiretos produtivos do que o adversário.

O peso de Bast Dost tem sido esmagador no Leão.

A eficácia defensiva nas bolas paradas

Em 27 golos sofridos, o processo defensivo de Jesus não foi eficaz em oito bolas paradas (29,62%). A saber: três livres indiretos, dois cantos, dois penáltis e um livre direto.

Volta a crescer a percentagem quando olhamos para o outro lado da Segunda Circular, com 42,85%, consequência de seis golos em 14 sofridos. Três cantos, dois livres indiretos e um direto.

As timezones da eficácia

O ataque do Benfica tem-se mostrado mais eficaz nestas 29 jornadas no último quarto de hora de cada período: 13 golos no final da primeira parte (0,21%) e mais 16 a acabar a partida (0,26%). A segunda parte é a mais eficaz, ao contrário do que acontece com o rival.

Do lado dos leões, há maior poderio atacante manifestado na primeira metade, e na última meia-hora desse período (20,7% dos 16 aos 30, e outros 20,7% dos 31 aos 45 minutos).

Primeira parte

Sporting, 53,4% – Benfica, 44,3%

0-15 Sporting, 7 (12, 1%) – Benfica, 4 (6,6%)

16-30 Sporting, 12 (20,7%) – Benfica, 10 (16,4%)

31-45 Sporting, 12 (20,7%) – Benfica, 13 (21,3%)

Segunda parte

Sporting, 46,6% – Benfica, 55,7%

46-60 Sporting, 10 (17,2%) – Benfica, 9 (14,8%)

61-75 Sporting, 10 (17,2%) – Benfica, 9 (14,8%)

76-90 Sporting, 7 (12,1%) – Benfica, 16 (26,2%)

Benfica é a equipa com maior percentagem média de posse de bola.

Duas equipas de posse

Sporting e Benfica são as duas equipas com maior percentagem média de posse de bola, numa análise feita aos dados oficiais divulgados pela Liga. Os encarnados, que apenas tiveram pontos percentuais negativos precisamente na receção ao Sporting e na visita ao Dragão, lideram com ligeira diferença (59,76% contra 58,59%). Já a equipa de Jesus viu o Rio Ave de Luís Castro a roubar-lhe a bola em Alvalade, na única vez que desceu abaixo de 50%.

Melhor defesa, mas...

Se bem se lembram do que escrevemos em cima, o Benfica divide a melhor defesa com o FC Porto, e o Sporting tem mais 13 golos sofridos. Ou seja, praticamente o dobro. Paradoxalmente, os encarnados concedem muito mais espaço aos rivais do que os leões. Já consentiram 245 remates contra 207 dos leões (8,44 vs. 7,13 por partida) e 129 cantos (4,44 jogo) contra 96 (3,31). Fazem ainda bem menos faltas: 424 (16,62) contra 522 (18).

Os jogadores do Benfica viram 47 amarelos em contraste com os 71 do Sporting, mas tiveram duas expulsões (Ederson e Pizzi), sem que o mesmo tenha acontecido aos verde e brancos.

A ausência de Adrien, por lesão, foi sentida durante a temporada. 

Maior volume encarnado no ataque

A equipa de Rui Vitória faz, em média, mais três remates por jogo do que a de Jesus (439 vs. 342, 15,13 vs. 11,79 por encontro). Já não consegue tantos cantos (189 vs. 208, 6,51 vs. 7,17) e não provoca tantas faltas (463 vs. 520, 15,96 vs. 17,93).

Reviravoltas

O Benfica continua sem ter feito uma única reviravolta na Liga, embora tenha conseguido recuperar frente a FC Porto (de 1-0 para 0-1) e Boavista (de 0-3 para 3-3). Já o Sporting reclama três, perante o FC Porto em Alvalade (de 0-1 para 2-1), em Moreira de Cónegos (de 1-0 e 2-1 para 2-3) e Arouca (de 1-0 para 1-2). Ainda conseguiu salvar-se por três vezes da derrota, com Tondela, Chaves e Marítimo.

Números individuais

O peso de Dost

O ponta de lança holandês marcou 28 golos na Liga (48,3% da equipa) e assinou mais três assistências. É de muito longe o jogador mais influente dos leões. Seguem-se Gelson, Alan Ruiz, Joel Campbell e Bryan Ruiz.

A influência é muito mais repartida do outro lado, com Mitroglou e Pizzi a par, embora com missões diferentes: o grego a mostrar eficácia a finalizar e o internacional português no último passe. Os números de Jonas, que esteve muito tempo parado devido a lesão, já o colocam no top3, acima de Salvio e de Nélson Semedo.

A influência medida pelos golos e assistências.

31 leões, e William como farol

Jorge Jesus apostou em 31 jogadores na Liga esta temporada. William Carvalho foi o mais utilizado com 2449 minutos, Carlos Mané apenas entrou para os descontos do clássico com o FC Porto, e depois saiu para o Estugarda.

O onze ideal do Sporting apenas feito com os mais utilizados já incluiria Alan Ruiz, que apenas recentemente parece ter ganho definitivamente o lugar no onze – foi titular nove vezes e suplente utilizado outras duas nos últimos 12 jogos – e a polivalência beneficiaria Bruno César em detrimento de Zeegelaar. Ou seja, seria qualquer coisa como: Rui Patrício (2430); Schelotto (1586), Rúben Semedo (1928), Coates (2430) e Bruno César (1645); Gelson (2413), Adrien (1708), William (2449) e Bryan Ruiz (1934); Alan Ruiz (1343) e Dost (2260).

28 escolhidos por Rui Vitória, e a raiz Lindelof 

O defesa sueco Lindelof é até aqui o jogador mais utilizado na Liga pelo técnico do Benfica, com 2520 minutos, consequência de ter falhado o jogo com o Arouca depois de uma ida à seleção. No plano oposto está o jovem avançado sérvio Jovic, com oito minutos cumpridos na derrota no Bonfim.

Um onze ideal dos encarnados seria mais confuso, já que deixaria de fora Rafa, bem como Grimaldo e Eliseu, e ainda incluiria Gonçalo Guedes, vendido no mercado de Inverno. O onze que se segue ficará obviamente desfeito dentro de algumas rondas: Ederson (2022); Nelson Semedo (2421), Luisão (1980), Lindelof (2520) e (eventualmente)... Cervi (1061); Salvio (1762), Fejsa (1808), Pizzi (2486) e Guedes (1198); Jonas (1084) e Mitroglou (2000).

Pontapé de saída

Este sábado, joga-se grande parte do título nacional. Separados por oito pontos, os números mostram que a diferença está longe de ser assim tão grande quando se comparam outros números. Os encarnados quererão certamente embalar em Alvalade para o título, mas a tarefa está muito longe de ser fácil. Já o Sporting terá oportunidade para voltar a reduzir distâncias. Está dado o pontapé de saída.