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Selecção: a hora dos jogadores

Obrigados a assumir responsabilidades em Oslo: as suas e as dos outros.

Nuno MadureiraPor Nuno Madureira2010-09-04 17:11h
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Sem piloto, sem rumo e agora sem o apoio do público, a Selecção é um navio à deriva. O empate com Chipre, e as circunstâncias surreais em que foi consentido, mostram que o registo de comédia negra que a envolve, pelo menos desde a partida para a África do Sul, se estendeu aos jogadores. Tarde ou cedo teria de acontecer.

Por mais que estes tentem desligar os grosseiros erros defensivos do processo Queiroz e seus efeitos, o que se viu em Guimarães não foi uma equipa. Foi, sim, um conjunto de jogadores capaz de exprimir rasgos avulsos de talento, mas incapaz de cumprir o primeiro mandamento de qualquer organização - comunicar e dividir tarefas em nome da lucidez.

A falta de líderes, dentro e fora de campo, é uma questão batida, mas verdadeira. E, nesse contexto, torna-se mais grave o desagregar das hierarquias que deviam proteger o grupo. Sem isso, vale pouco a evidência de que Portugal tem o melhor conjunto de jogadores do seu grupo de apuramento e uma estrutura de apoio com provas dadas nas últimas décadas. Pode ter isso tudo, mas nesta altura não tem uma equipa.

Já poucos têm dúvidas de que esta história não tem como acabar bem. Nem para Carlos Queiroz, nem, muito menos, para Gilberto Madail e o seu estilo de gestão, especializado em decidir por omissão, à espera de imposições superiores. Falta só ver se acaba a tempo de impedir que os próximos anos se transformem num deserto competitivo a que os portugueses, jogadores e adeptos, já não estavam habituados.

É cada vez mais tarde, e cada vez mais difícil evitá-lo. Mas há um passo, obrigatório, com dia e local marcado: terça-feira, no Ullevaal, em Oslo. A Selecção é um navio à deriva, sim, mas ainda não foi ao fundo. À falta de piloto, que sejam os jogadores, por esta vez, a assumir as responsabilidades. As suas e as dos outros, já que mais ninguém parece capaz de assumi-las.

P.S.: Totalmente desajustado o timing da declaração de Laurentino Dias após a publicação do acórdão do ADoP, dando pretexto a uma resposta, não menos inoportuna, de Carlos Queiroz. As razões de cada um não se discutem aqui. Mas deitar gasolina para a fogueira, a 24 horas do jogo, é eloquente acerca das respectivas prioridades.

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