A conferência do presidente do Sporting, na sexta-feira, foi um momento de triste irresponsabilidade, cujas consequências estão à vista.

O futebol não precisa de atitudes como aquela. O Sporting também não. A continuar por aqui, o clube de Alvalade ficará mais longe de vencer do que alguma vez esteve este século.

Se acha que exagero, leia o resto.

Há diversos dirigentes e treinadores em Portugal que olham para os árbitros como o factor fundamental de sucesso. Acham que se conseguirem condicionar o trabalho do árbitro vencerão. Este é um pensamento primário que não conduz ao sucesso, ao contrário do que pensam. Pelo menos hoje em dia.

Os árbitros que apitam no campeonato, agora, estão inseridos numa estrutura mais forte, logo encontram-se mais protegidos. São também mais competentes e bem formados. Logo, menos permeáveis. Continuam a errar, o que é pena. Mas faz parte, acontece em todos os campeonatos, em todas as provas.

Ao avançar para uma conferência de imprensa como a de sexta-feira, o presidente do Sporting demonstrou duas coisas: desconhece a realidade e está mal aconselhado.

Em poucos dias, o Sporting passou de clube com um histórico em geral correcto para com os árbitros, para clube que pressiona (e, objectivamente, ataca) quem apita. Ou seja, os seus dirigentes não estão empenhados em ajudar a melhorar (lamentavelmente, ninguém se recorda de uma ideia desta direcção), pelo contrário, procuram caminhos antigos.

Assim, o Sporting está hoje numa situação ingrata. A partir de agora, todos os actos dos árbitros em jogos do clube serão observados com redobrada atenção. Sempre que um árbitro errar em prejuízo dos «leões», que poderão os responsáveis fazer mais? Recorrer à UEFA, à FIFA, desistir da competição, regressar ao luto? Se, por acaso, um árbitro tiver a infelicidade de errar e favorecer o Sporting, quem não dirá que isso sucede em função da pressão exercida?

Nesta história triste, o Sporting não tem como sair vencedor.

É espantoso que antes da segunda jornada o clube já se tenha colocado nesta posição. E é lamentável que não tenha conseguido deixar fora desta estratégia doentia o treinador, afinal o seu maior capital para esta temporada. Este sábado Domingos tentou recuperar o bom senso, mas terá de fazer mais e durante mais tempo, após a reacção excessiva no final do Sporting-Olhanense.

E é por tudo isto que o Sporting está ainda distante de poder ganhar. Por um lado tem uma equipa para formar, o que vai dar trabalho. Por outro, não menos importante, o clube é hoje dirigido por pessoas que dão mostras de não saber o que realmente é necessário fazer para chegar ao sucesso desportivo. Pelo menos que se note.

Resumindo, só vejo uma forma de o Sporting sair disto: pedir desculpa aos árbitros. Começando por João Ferreira, que Godinho Lopes tentou colocar numa posição insustentável.

PS: A atitude de João Ferreira é notável. A solidariedade dos restantes árbitros constitui um momento que pode ser de viragem no futebol português. Já é tempo de dirigentes e treinadores (todos!) ganharem vergonha e deixarem de utilizar a desculpa estúpida da arbitragem. Atenção, isto não quer dizer que os nossos árbitros sejam fantásticos. Infelizmente, continuam a falhar em dois aspectos fundamentais: apitam de mais (e faltas absurdas, provocadas por jogadores viciados em quedas) e deviam estudar e trabalhar mais para que os critérios fundamentais fossem uniformes.