A questão tem subjacente algum exagero. Porque os jogadores do Benfica nunca chegaram a ser fantásticos e porque também ninguém acha que deixaram de ter valor. Só que entre o 80 e o 8 existem demasiados números e é por aí que o Benfica tem andado. Em Abril perdeu uma vez, o que até era aceitável, o problema foi ter empatado de mais. Sobretudo em Aveiro e agora com o Sp. Braga.
Acho que parte do problema chama-se Luisão. Já se sabia que o internacional brasileiro é excelente jogador, ficou a perceber-se que é também imprescindível. Sem ele, a equipa perdeu capacidade nas bolas paradas ofensivas e, mais importante, ficou frágil atrás. Curiosamente o edifício não ruiu por causa de David Luiz, mas sim por incapacidade de liderança de Anderson.
O segundo problema dá pelo nome de Katsouranis. O grego foi fundamental durante muitos jogos, mas arrasta-se há demasiado tempo.
Depois também não foi bom ter de gerir o estado físico de Rui Costa, lidar com a infelicidade de Nuno Gomes e depender em excesso de Simão, que foi o melhor de todos, mas não chega para tudo.
No meio de tudo isto, que culpa tem Fernando Santos?
Os treinadores, já o sabemos, são sempre o alvo mais fácil. Muito do que se passa numa equipa acontece à porta fechada, pelo que as análises acabam por ser feitas apenas com bases em jogos. O que é de menos, mas não há grande volta a dar.
Na minha opinião, Fernando Santos é parte do problema e poucas vezes conseguiu ser solução.
Teve opções muito discutíveis, a que se soma um discurso enrolado, sem chama, incapaz de entusiasmar. E redondo, a escapar às questões, o que dá um ar de fragilidade. Pode ser errada, mas é a impressão que fica.
Depois, pecado maior, Fernado Santos optou quase sempre por ignorar uma parte do plantel: Beto, Manu, Paulo Jorge, Miguelito e Mantorras são os exemplos maiores, para já não falar em Moreira. Pelo contrário, pareceu apostar no jovem João Coimbra, a quem deu oportunidades (?) em jogos de extrema dificuldade.
Conclusão: Fernando Santos utilizou muito os principais jogadores, uma tendência que piorou com a saída de Ricardo Rocha e o castigo de Nuno Assis. É natural que os melhores cheguem a esta altura cansados e os outros desmotivados e descrentes.
Neste contexto, é estranho que Mantorras mereça 45 minutos depois de se queixar publicamente; que David Luiz seja melhor lateral esquerdo do Miguelito; que Manu tenha oito minutos de competição, num jogo fundamental, depois de semanas parado.
A pergunta
Ao longo da época encontramos sempre decisões questionáveis. Algumas com explicações claras, admito, mas que permanecem reservadas. É assim em todos os grupos.
No caso de Fernado Santos, a mais relevante nem sequer teve grande influência. Sem Luisão, por castigo, o treinador do Benfica decidiu utilizar, nas Aves, Katsouranis a central, deixando David Luiz de fora. Frente ao pior ataque, entendeu que o jovem brasileiro não dava garantias. Sabe-se o que sucedeu depois. Luisão lesionou-se, David Luiz entrou e até foi a figura do Benfica no clássico. Ou seja, o treinador não foi capaz de perceber o valor do central que treinava há semanas. É grave? Se calhar não, mas dá uma ideia.
Uma das formas de avaliar o génio de um treinador é perceber como lida com as dificuldades. O Chelsea, por exemplo. Esta época Mourinho não hesitou em fazer de Essien central e lateral; descobriu um lateral chamado Diarra; deu a Mikel a função de Makelele; até Wright-Phillips pareceu nascido para médio centro, ele que sempre foi extremo.
E Fernando Santos? Não me lembro de um decisão arriscada, uma ideia, um improviso genial. Até pode ser que o Benfica ainda seja campeão (enfim...) ou segundo. Mas neste momento não dá para iludir a pergunta: o treinador pode começar 2007/08? Tem sido assim nos últimos anos, por esta altura, no Benfica.Comentar este artigo
