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O senhor anti-televisão

Paulo Sérgio domina mal o tema

Luís SobralPor Luís Sobral2010-10-27 10:01h
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Paulo Sérgio, treinador do Sporting, voltou ao tema das transmissões televisivas, num comunicado colocado no site do clube.

Apesar de o que escreve parecer pouco reflectido, acho que, ainda assim, merece comentário.

Comecemos pelos factos.

Em Portugal, os clubes negoceiam directamente a cedência dos direitos televisivos. Logo, são livres de não vender os jogos do campeonato que disputam no seu estádio.

Apesar desta liberdade, o Sporting decidiu, em Julho, vender os direitos televisivos até 2017/18, por 108 milhões de euros. Os jogadores podem não ser vendidos; os adeptos podem não ir ao estádio; os patrocinadores podem sair; mas a televisão estará sempre lá.

Ao vender estes direitos, o Sporting permite que os seus jogos sejam passados em directo na televisão. A Liga tem regulamentação que determina dias e horas para estas transmissões. A Liga é dirigida pelos clubes.

Desde o ano passado, a Liga divulga com muita antecedência as datas e horas de início dos encontros transmitidos nas televisões. No processo de marcação dos jogos participam a Liga, os clubes e as televisões detentoras dos direitos.

O que me leva a esta conclusão: Paulo Sérgio domina mal o tema. O que não teria problema nenhum não fosse o caso de o clube lhe permitir que faça o papel, de resto pouco conseguido, de senhor anti-televisão.

Enquanto distrai os adeptos, Paulo Sérgio evita a reflexão séria que o Sporting deveria fazer, a partir desta pergunta: com um jogo em canal aberto às 18.15, ao domingo, como pode o clube não ter sequer 30 mil adeptos nas bancadas? Quem souber que responda.

P.S.: Num artigo escrito esta terça-feira em «A Bola», Eduardo Barroso, comentador do programa televisivo «Prolongamento» (TVI24, segunda-feira às 23:00), manifesta-se contra a ditadura das televisões. Faz sentido.

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