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Sporting: despedir Domingos para salvar a pele

Que decisão é esta?

Luís SobralPor Luís Sobral2012-02-13 19:44h
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Quem costuma ler o que escrevo saberá que não serei o primeiro a defender que Domingos estava a fazer um bom trabalho em Alvalade. Porque simplesmente não estava e só não via quem não queria ou tinha medo de o escrever.

Apenas com os factos que são tornados públicos (basicamente jogos e declarações), a minha avaliação sobre o trabalho de Domingos no Sporting é negativa. Demasiadas vezes não conseguiu estar à altura e não me lembro de uma ocasião em que tenha feito a diferença.

Isto quer dizer que devia sair?

Não, acho que continuava a ter condições para continuar. Precisava de assumir os erros próprios, mudar de discurso e definir uma estratégia de comunicação, em conjunto com a direcção, que lhe permitisse limitar os danos e olhar em frente, para 2012/13.

E o presidente?

A opção de contratar um treinador é a mais importante que uma administração tem para tomar. Deve ser ponderada, demorada e estudada ao limite. Neste caso, o Sporting escolheu um português com provas dadas e, mais do que isso, alguém que já tinha trabalhado com Carlos Freitas, a figura-chave da SAD leonina. Sabia ao que ia. Ou pelo menos devia saber.

Despedir Domingos oito meses depois de o contratar é antes de mais uma confissão de falhanço da direcção.

Ainda mais preocupante do que ter uma direcção que se engana a escolher um treinador é ter um presidente que muda de opinião em poucas horas. Ou que não decide.

Na prática, só existem essas duas formas de avaliar a actuação de Godinho Lopes neste processo. Não consigo dizer qual delas é pior. A primeira faz dele um presidente hesitante, sem certezas. Logo pouco recomendável para o lugar. A segunda traz de volta os problemas de há meses com Luís Duque e reforça a ideia de que o Sporting é um corpo com várias cabeças. Logo, ingerível. Pelo menos com esta «equipa».

Acho espantoso que Godinho Lopes ainda não tenha pedido a demissão.

E a SAD?

Não acredito que a SAD do Sporting espere resolver os problemas ao despedir Domingos. Acho que pretende apenas salvar a pele e ganhar tempo.

As questões do Sporting são muito profundas e duvido que um homem, seja ele qual for, consiga resolvê-las sozinho. Domingos foi simplesmente sacrificado para que a SAD possa continuar. Não foi a primeira vez, não será a última. Mas é uma decisão que devia envergonhar quem a tomou.

P.S. : Depois de Paulo Bento, Sá Pinto é o segundo treinador dos juniores do Sporting a assumir a equipa principal. É um passo delicado, de grande risco. Além da capacidade própria, vai precisar de sorte. Também lhe daria jeito ter o apoio sólido da SAD e do presidente do clube. Mas seria ingénuo esperar que isso suceda. Assim, Sá Pinto começa esta dura aventura com o apoio dos adeptos e o que conseguir construir com o plantel. E sem tempo, porque em Alvalade isso não existe.

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