Perder em casa é quase sempre o fim nas competições europeias, mesmo em fases de grupos. O Sporting empatou. Menos mau.
Olhar
para o 0-0 com o Basileia deste ponto de vista ajuda a colocar as coisas no seu devido lugar. Não houve drama em Alvalade.
Apenas um resultado que não é perfeito, na primeira jornada de uma fase de grupos.
Apesar disso, e de andarmos pelo
mês de setembro, os adeptos (poucos...) assobiaram todas as substituições de Sá Pinto e despediram-se da equipa com o joguem
à bola.
Se o resultado não foi dramático e os jogadores não deram sinal de falta de empenho ou ausência de atitude
quer dizer que o problema é grave: os adeptos não acreditam no que estão a ver.
Percebe-se.
Se ignorarmos
o Horsens (quem?!), o Sporting não ganhou qualquer jogo a sério. No campeonato soma apenas dois pontos, um golo. Empatou
em dois estádios delicados, sim, mas perdeu em casa com o Rio Ave. Esta noite cedeu pontos ante o Basileia. Nestes quatro
jogos, três vezes a zero. Um golo em quatro jogos. É mau, ponto de partida para os compreensíveis assobios, que de resto treinador
e jogadores souberam aceitar.
O problema que os adeptos detetam é na verdade simples: a equipa merece que digam que
não joga nada.
Não joga nada é um daqueles exageros que se instalaram no futebol. Na verdade, uma equipa
joga sempre alguma coisa, por pouco que seja. O nada é manifestamente exagerado, mas vale a pena usá-lo, porque serve
para sublinhar o essencial. Este Sporting não sabe atacar, aborrece, em diversos momentos dos jogos duvida-se que seja sua
vontade fazê-lo. Nunca arrisca.
Arriscar quer dizer que o jogador da ala vem para dentro. O médio aparece mais à
frente do que é suposto. O lateral sobe. O médio inventa um drible que não foi treinado. O defesa central chuta de longe.
Neste
Sporting isso não existe. A equipa parece uma marioneta, segurada por mão forte. Entra em campo para recitar a lição.
Os
laterais são bons, competentes jogadores de linha. Mas Cedric só vai em frente, ao contrário de João Pereira que procurava
muitas vezes o desequilíbrio no centro. Pranjic é um futebolista de recursos vários, mas sem a intensidade de Insua, que forçava
soluções inesperadas.
Do meio-campo já se falou muitas vezes. Izmailov é um passo em direção à fantasia. Mas um passo
curto, hesitante. Elias continua a ser pouco mais do que um jogador caro e a Gelson é legítimo pedir poucas coisas.
E
eis-nos na frente. Van Wolfswinkel, sobre quem recaíram os males do mundo no início, é mesmo assim a única fonte de esperança.
Bons movimentos, remates, entrega, intensidade. Curto? Talvez.
Capel é um caso único. Quando chegou aquela correria
toda impressionava. Agora raramente faz sentido. O jogador mais veloz, contratado para desequilibrar, é afinal o mais previsível,
uma infeliz soma de choques contra as paredes que os adversários erguem.
Sobra Carrillo. O peruano tem tudo para
ser um dos maiores desequilibradores da Liga, pelo talento e características que possui. Mas anda sem brilho, amarrado, como
se tivesse de escrever 50 vezes no relvado uma frase complicada e longa. Quando acaba, o jogo já passou.
Com todo
o respeito que treinador e jogadores merecem, este Sporting é uma equipa bem arrumada, que faz sentido quando entra em campo.
Os jogadores estão nos sítios certos. Mas depois o árbitro apita e falta dinâmica, falta qualidade, falta risco.
O
Sporting não perdeu, o que foi a boa notícia da noite. Empenhou-se, o que é o mínimo que se exige. O problema está na ausência
de qualidade do futebol que pratica. Os jogadores precisam de se libertar e jogar o que sabem. Depressa.
P.S.: Os
assobios de Alvalade a Sá Pinto são um sinal forte. O discurso tem de mudar. Até porque está distante da realidade. Quanto
mais cedo se alterar melhor para o Sporting.
POR CAUSA DE JESUS:
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