Sporting, uma equipa que «não joga nada»

Sá Pinto já não escapa às críticas dos adeptos

Por Luis Sobral       21 de Setembro de 2012 às 00:59
Sporting, uma equipa que «não joga nada»
Perder em casa é quase sempre o fim nas competições europeias, mesmo em fases de grupos. O Sporting empatou. Menos mau.

Olhar para o 0-0 com o Basileia deste ponto de vista ajuda a colocar as coisas no seu devido lugar. Não houve drama em Alvalade. Apenas um resultado que não é perfeito, na primeira jornada de uma fase de grupos.

Apesar disso, e de andarmos pelo mês de setembro, os adeptos (poucos...) assobiaram todas as substituições de Sá Pinto e despediram-se da equipa com o joguem à bola.

Se o resultado não foi dramático e os jogadores não deram sinal de falta de empenho ou ausência de atitude quer dizer que o problema é grave: os adeptos não acreditam no que estão a ver.

Percebe-se.

Se ignorarmos o Horsens (quem?!), o Sporting não ganhou qualquer jogo a sério. No campeonato soma apenas dois pontos, um golo. Empatou em dois estádios delicados, sim, mas perdeu em casa com o Rio Ave. Esta noite cedeu pontos ante o Basileia. Nestes quatro jogos, três vezes a zero. Um golo em quatro jogos. É mau, ponto de partida para os compreensíveis assobios, que de resto treinador e jogadores souberam aceitar.

O problema que os adeptos detetam é na verdade simples: a equipa merece que digam que não joga nada.

Não joga nada é um daqueles exageros que se instalaram no futebol. Na verdade, uma equipa joga sempre alguma coisa, por pouco que seja. O nada é manifestamente exagerado, mas vale a pena usá-lo, porque serve para sublinhar o essencial. Este Sporting não sabe atacar, aborrece, em diversos momentos dos jogos duvida-se que seja sua vontade fazê-lo. Nunca arrisca.

Arriscar quer dizer que o jogador da ala vem para dentro. O médio aparece mais à frente do que é suposto. O lateral sobe. O médio inventa um drible que não foi treinado. O defesa central chuta de longe.

Neste Sporting isso não existe. A equipa parece uma marioneta, segurada por mão forte. Entra em campo para recitar a lição.

Os laterais são bons, competentes jogadores de linha. Mas Cedric só vai em frente, ao contrário de João Pereira que procurava muitas vezes o desequilíbrio no centro. Pranjic é um futebolista de recursos vários, mas sem a intensidade de Insua, que forçava soluções inesperadas.

Do meio-campo já se falou muitas vezes. Izmailov é um passo em direção à fantasia. Mas um passo curto, hesitante. Elias continua a ser pouco mais do que um jogador caro e a Gelson é legítimo pedir poucas coisas.

E eis-nos na frente. Van Wolfswinkel, sobre quem recaíram os males do mundo no início, é mesmo assim a única fonte de esperança. Bons movimentos, remates, entrega, intensidade. Curto? Talvez.

Capel é um caso único. Quando chegou aquela correria toda impressionava. Agora raramente faz sentido. O jogador mais veloz, contratado para desequilibrar, é afinal o mais previsível, uma infeliz soma de choques contra as paredes que os adversários erguem.

Sobra Carrillo. O peruano tem tudo para ser um dos maiores desequilibradores da Liga, pelo talento e características que possui. Mas anda sem brilho, amarrado, como se tivesse de escrever 50 vezes no relvado uma frase complicada e longa. Quando acaba, o jogo já passou.

Com todo o respeito que treinador e jogadores merecem, este Sporting é uma equipa bem arrumada, que faz sentido quando entra em campo. Os jogadores estão nos sítios certos. Mas depois o árbitro apita e falta dinâmica, falta qualidade, falta risco.

O Sporting não perdeu, o que foi a boa notícia da noite. Empenhou-se, o que é o mínimo que se exige. O problema está na ausência de qualidade do futebol que pratica. Os jogadores precisam de se libertar e jogar o que sabem. Depressa.

P.S.: Os assobios de Alvalade a Sá Pinto são um sinal forte. O discurso tem de mudar. Até porque está distante da realidade. Quanto mais cedo se alterar melhor para o Sporting.

TAGS:   Opinião   Desce   Sporting   Sá Pinto   Liga Europa  

PUBLICIDADE

Comentários
Maisfutebol de A a Z
Ver todos
X
Y
MAISFUTEBOL COPYRIGHT © 2013 IOL.PT