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Benfica: elogio do desperdício

Witsel no banco não faz sentido

Luís SobralPor Luís Sobral2012-02-21 15:14h
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A derrota do Benfica em Guimarães foi apenas a primeira na Liga 2011/12, algo que não sucedia há muitos meses. Mas foi a segunda consecutiva e isso deve preocupar adeptos e dirigentes.

Na Rússia e no norte de Portugal, o Benfica perdeu porque defendeu mal.

Uma parte da explicação estará em Javi Garcia. Talvez. Mas se detalharmos os erros percebemos que sucederam mesmo na zona de intervenção da defesa, já no interior da grande área. O golo de Guimarães é especialmente delicado, coloca em causa quem não conseguiu resolver o lance no início e sobretudo quem permitiu que Toscano respirasse numa zona que devia ser protegida. E isto não é responsabilidade de Javi Garcia.

Se as deficiências defensivas (que não são novidade, apenas surpreendem pelo número) explicam os quatro golos sofridos, o «zero» em Guimarães tem outra origem. Acima de tudo, o Benfica não foi capaz de impor a sua força e forma de jogar. Talvez devesse ter pensado em explorar alternativas, algo que, sabemos, Jesus raramente consegue.

Sem Javi Garcia e com um terreno impróprio pela frente, Jesus fez bem em colocar em campo Nolito, mas errou ao escolher Rodrigo, Aimar e Gaitan, todos jogadores que precisam da relva ideal para render. No banco ficaram (demasiado tempo) futebolistas com Witsel, Bruno César e Nélson Oliveira, todos muito melhor preparados para o que se esperava no D. Afonso Henriques.

A principal vantagem de ter alguém como Witsel no plantel é permitir ao Benfica mais peso na zona central do meio-campo. Em vez da vertigem do «vamos para cima deles», um plano de jogo mais pensado. Jesus desperdiçou essa possibilidade e viu-se que a equipa não tinha, afinal, força para impor o seu jogo habitual.

Teria sido sensato, por exemplo, alinhar com o médio belga mais perto de Matic e com Aimar próximo de Cardozo. Jesus entendeu de outra forma e a história do jogo não lhe deu razão. Acresce que nesta fase da temporada, ainda por cima sem Javi Garcia, prescindir das características de Witsel é algo que não se entende. Um elogio do desperdício que pode resultar perigoso.

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