Um empate sofrido e assegurado no último suspiro da partida. A dez minutos do final, Matías Fernandez confere ao resultado um carregado sabor a injustiça. Já depois dos 90, num pontapé fulminante, alivia a decepção vimaranense. Antes e depois, muita polémica, demasiada carga dramática e descontrolo evidente.
Todos estes impulsos, a raiva, a instabilidade dos dois conjuntos são explicados pelo medo. As duas equipas estão longe dos lugares que ambicionam, sabem que não podem errar e não há equilíbrio mental que resista. De qualquer forma, insistimos, foi o Guimarães quem mais e melhor jogou. Só os minhotos mereciam a redenção e a salvação dos três pontos.
A liderança a dez pontos: uma imensidão!
A actuação do Sporting até ao intervalo é má, demasiado má para merecer compreensão. Nem alegria, nem raça, nem qualidade, nem empenho. Foi uma mão cheia de nada. O Vitória, pelo contrário, esteve muito bem. Nesta fase praticou o seu melhor futebol da época. Podia ter marcado por Moreno e João Alves, mas o autismo do destino manteve o marcador imaculado.
O Vitória foi entusiasmante. Comandado pela genialidade de Nuno Assis e pelo equilíbrio de João Alves, poderia perfeitamente ter construído uma vantagem suficientemente segura para ser gerida com tranquilidade. Este Sporting, histórico candidato ao título, não apresenta argumentos, atitude e definição de campeão.
A frieza dos números gela as mentes leoninas. Os leões não vencem há três jogos e há 15 anos que não começavam tão mal. Oito rondas decorridas, o topo do campeonato já está à distância de dez pontos. Uma imensidão! O Vitória joga bem mas não foge da cauda da tabela.
Corrigir o erro com a manobra de sempre
Para corrigir erros antigos, Paulo Bento recorre sempre ao primeiro ponto do seu manual de instruções. Retira o lateral esquerdo (Grimi, no caso), recua Miguel Veloso para esse lugar e coloca João Moutinho na posição-seis. A entrada de Pereirinha, sempre cheio de genica, resulta numa primeira fase, mas o efeito da adrenalina passa com o decorrer dos minutos.
O Sporting melhora durante dez/quinze minutos, de facto, mas volta a cair abruptamente. Marca sem merecer, já depois de Liedson obrigar Nilson à única intervenção exigente na partida, mas nem a benesse da fortuna consegue aproveitar. No último pontapé do jogo, o leão é atingido em cheio pela realidade. Volta o medo, o negrume, a bruma.
Este Sporting não mostra argumentos para lutar pelo título.
Arbitragem polémica, pois claro
As últimas linhas da crónica são dedicadas à arbitragem de Olegário Benquerença. O árbitro decide bem ao validar o golo de Matías, mas errou ao não assinalar uma grande penalidade evidente de Vukcevic sobre João Alves. No golo anulado a Caicedo, a dúvida permanece. Só as imagens televisivas poderão elucidar.

