Não há dúvidas que os monolugares de Fórmula 1 sofreram alterações radicais em relação à anterior temporada. Além do Halo, os carros estão mais largos, o que segundo Daniel Ricciardo (Red Bull) representa um obstáculo para conseguir realizar ultrapassagens difíceis. Prova disso foi o GP da Austrália onde apenas se verificaram cinco ultrapassagens.

Corridas 'roda com roda' e recheadas de emoção estavam no topo da lista de exigências do Grupo Liberty para a Fórmula 1, mas não parece que isso seja fácil de acontecer.

"Sinto que os monolugares ocupam muito espaço na pista", explicou Daniel Ricciardo ao site motorsport.com. "É difícil encontrar uma folga. Está a chegar a um ponto em que acho que algumas pistas serão prejudicadas pelas corridas", assumiu o australiano que preferia as versões antigas dos monolugares.

"Acho que carros mais estreitos são ótimos. É como nas motos, porque elas são tão estreitas e sempre há espaço para ultrapassar. E eles são 30 segundos mais lentos que nós. Acho que isso prova que o tempo de volta não é o mais importante. Precisamos da capacidade de raciocínio, porque esse é o espectáculo", defendeu. "Quanto às ultrapassagens, eu acho que os monolugares de 2014 eram bons", atirou.

Entre velocidade e capacidade de ultrapassagem, Ricciardo pede um equilíbrio. O que aconteceu no GP da Austrália fez disparar os alarmes e a última coisa que a modalidade precisa é de corridas aborrecidas.

"Em Barcelona, corremos a uma boa velocidade. Fomos a fundo nas curvas 2 e 3, na curva 9 também. É de facto impressionante, mas quanto mais rápido nós formos, mais difícil será ultrapassar e mais difícil será seguir outro carro de perto. Preferem ver carros a fazer tempos de 1min22s em vez de 1min25s, mas incapazes de correr no domingo? Ou preferem carros mais lentos, mas capazes de ultrapassar?", questionou.

Certo é que a Liberty já está em cima do acontecimento. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) divulgou este domingo o desejo de ver o Safety Car aparecer uma vez por corrida na Fórmula 1 esta temporada. Uma medida para impulsionar o espectáculo.

O Safety Car poderia intervir inesperadamente em plena corrida, por ordem do Colégio de Comissários. A neutralização levaria três voltas, para garantir menos distanciamento.

Mas, este fator surpresa pode não agradar a muitos. As circunstâncias da ultrapassagem de Sebastian Vettel (Ferrari) a Lewis Hamilton (Mercedes) sob um safety car virtual foram analisadas pela FIA, que viu como uma excelente maneira de apimentar o resultado da prova.

Teremos mais uma polémica ao virar da esquina?