A difícil tarefa de fazer esquecer Ricardo Quaresma, pelo menos enquanto a novela com o Inter não se resolve, recaiu automaticamente sobre os ombros de Cristian Rodríguez, pelas qualidades demonstradas na temporada passada ao serviço do rival Benfica. No entanto, esta partida teve em Mariano Gonzalez um herói improvável e tão decisivo como o cigano gosta(va) de ser. O extremo argentino esteve no primeiro golo, que dividiu a meias com o lateral do Belenenses, China, mas não parece ter ficado satisfeito porque continuou a procurá-lo. Esteve muito perto de encontrar o segundo aos 42 minutos, quando arrancou sozinho, driblou dois adversários e rematou ao ângulo com um belo efeito. Júlio César ficou a dizer adeus à bola, mas esta teimou em acertar no poste, evitando ficar na lista dos melhores golos desta Liga. Quanto a Mariano, parecem estar definitivamente esquecidos os assobios que já ouviu dos adeptos. Agora, é altura de palmas no Dragão.
Hulk, aí está ele
Deram-lhe alcunha de banda-desenhada e, logo à primeira jornada, Hulk começou a escrever a sua história no Estádio do Dragão. Entrou aos 68 minutos para o lugar de Rodríguez e começou por tentar de livre, mas a barreira não deixou. Aos 84 minutos fez o golo mais bonito da noite e deixou os adeptos portistas com água na boca. Em 16 minutos, Hulk conseguiu ser mais eficaz do que o melhor marcador da Liga em título em toda a partida. Incrível.
Lucho, há coisas que nunca mudam
Um, dois, três. Imagine o passo de tango. Sempre certo, a comandar, sem pisar o/a parceiro/a. Não haverá muito mais a dizer sobre o estilo de jogo de Lucho Gonzalez que já não tenha sido por diversas vezes repetido. O comandante do Dragão começa a época 2008/2009 ao nível que os adeptos portistas certamente exigiam: o seu nível. 37 minutos, Sapunaru arranca. Um, dois, três. Lucho recebe, espera e entrega.
Tomás Costa, «eureka»?
A fórmula de Jesualdo Ferreira complicou-se com a saída de Paulo Assunção. É um facto: o professor gostava de depender daquele seis. Na pré-temporada, Guarin pareceu ser a escolha óbvia, sendo que também Fernando teve as suas oportunidades. No entanto, nenhum dos dois habituais «trincos» conseguiu agarrar o lugar e a solução final tardava em ser encontrada. E se é verdade que o Belenenses não foi a equipa ideal para testá-lo, o recuo de Raul Meireles, com Tomás Costa uns passos à frente, parece ter sido o primeiro passo nesse sentido. Coincidência ou não, o F.C. Porto só tremeu quando ele saiu.
Cândido Costa, a remar contra a maré
Casemiro Mior surpreendeu ao colocar Cândido Costa como médio direito, quando se esperava que ocupasse o lugar de lateral. Terá sido esta a mensagem do treinador do Belenenses para Cândido Costa: podes ir mais longe. No entanto, o médio teve pela frente Rodríguez primeiro e Mariano depois e o tango dos argentinos foi demais para que Cândido Costa pudesse arriscar outros terrenos. Ainda assim, foi o mais inconformado do Restelo: correu, lutou e subiu quando o F.C. Porto deixou. Foi pouco, mas foi mesmo o único a remar contra a maré.
Silas e Zé Pedro, são mesmo eles?
O capitão e o sub-capitão do Belenenses estiveram irreconhecíveis. Tantas vezes nos vimos obrigados a destacar positivamente os dois principais pilares dos azuis do Restelo, que estranhámos a sua postura passiva, esperando um fio de jogo que, sem eles, naturalmente não chegou. Poderá apenas ter sido uma falsa partida dos dois «velhos do Restelo», mas o certo é que deixaram Casemiro Mior refém do seu talento para enfrentar os tricampeões nacionais.Comentar este artigo

