O jogo no Parken Stadium foi uma espécie de condensado de todos os problemas sentidos pela equipa nesta fase de qualificação: mistura inacreditável de oportunidades perdidas, instabilidade emocional, erros próprios e alheios, oscilações de identidade e falta de sorte. Tudo isto a embrulhar um conjunto de talentos que em determinados momentos mostra ser brilhante, mas ao qual falta o traço de identidade e liderança indispensável às grandes equipas.
A primeira parte confirmou a validade do losango como figurino escolhido por Queiroz: boa posse e circulação de bola, domínio acentuado e excelente mobilidade de Ronaldo e Simão na frente, a permitir a criação de um número apreciável de oportunidades, invalidadas pela segurança de Andersen e pela falta de pontaria. Massimo Busacca, com um critério largo, ajudava a criar um jogo fluido e rápido, mas o árbitro suíço erraria claramente ao não ver um corte de Christensen com o braço, a impedir que Tiago encostasse para golo (41 m).
A terminar uma primeira parte bem conseguida, a reedição do filme de Alvalade: a Dinamarca, dominada, a marcar no primeiro remate à baliza de Eduardo, depois de Bendtner ganhar posição a Duda e Bruno Alves chegar tarde para a dobra.
Liedson, no banco, era o trunfo óbvio para jogar no intervalo, mas o sacrifício de Tiago e a colocação de Simão na ala esquerda, com Ronaldo a descair para a direita, tiraram ao jogo português aquilo que ele tinha tido de melhor. E a Dinamarca, moralizada, passou a ter mais bola e melhores oportunidades. Portugal perdia coesão e via a qualificação fugir-lhe pelos dedos, mais do que nunca num lance incrível em que Ronaldo e Liedson, sobre a linha, não conseguiram desviar o cruzamento de Meireles (63 m).
A entrada de Nani para a vaga de Simão voltou a acender a chama, numa altura em que os portugueses eram sistematicamente vaiados, depois de não devolverem a bola, num lançamento provocado pela lesão de Silberbauer.
Não era bonito de ver, e era com pouca lucidez e todo o coração que Portugal partia para o assalto final. Os jogadores davam tudo, mas cada vez com menos controlo. E foi em força, na sequência de um canto, que a estrelinha de Liedson evitou a derrota, já depois de Deco ter desperdiçado mais duas oportunidades claras.
Tudo somado, apesar das novidades em forma de losango e com rosto de Liedson, a Selecção voltou a ser mais do mesmo. Foi um adeus novamente adiado, sim. Mas que nunca esteve tão próximo como agora.Comentar este artigo

