DESTINO 90's é uma rubrica do Maisfutebol: recupera personagens e memórias dessa década marcante do futebol. Viagens carregadas de nostalgia e saudosismo, sempre com bom humor e imagens inesquecíveis. DESTINO: 90's.

PETER RUFAI: Farense (1994 a 1997) e Gil Vicente (1999/2000)









Maisfutebol«Aqui é um problema enorme»Só atendi porque vi que era um número de Portugal. Muitas vezes nem vale a pena tentar»



«Adoro Portugal. Vou aí no próximo mês»

«Continuo ligado ao futebol. Criei um programa que estou a aplicar há alguns anos na Nigéria. Chama-se Dodo Mayana Soccerthon. Basicamente pegamos em miúdos entre os 15 e os 20 anos, treinámo-los nos nossos campos e com os nossos treinadores de desenvolvimento e depois colocámo-los em clubes da Nigéria, de África e até da Europa. A Nigéria é um país grande e este é um projeto que está espalhado»

«Depois de deixar de jogar percebi que não queria deixar o futebol. Passei a dedicar a minha vida aos jovens. Tirei o curso de treinador no Reino Unido e fiz formação para trabalhar com jovens na Bélgica. A isso juntei a minha educação e a experiência. Trabalhamos com padrões europeus. Há muito talento na Nigéria»

«Vou ver se posso ajudar alguns clubes com os meus jogadores

Os números de Peter Rufai em Portugal






«Sabe por que gostei de Portugal? Pelas pessoas»



«Surgiu a hipótese de ir para o Farense através do empresário Luís Ribeiro. Foi uma boa experiência. Mais, foi uma ótima experiência. Adorei Faro, adorei o Algarve. Foi uma fase muito boa da minha vida»




O Farense de Rufai em 1994/95

«Sabe por que gostei? Pelas pessoas. Foram todas muito boas para mim. Tratavam-me tão bem que ainda hoje digo que sou um filho de Portugal, também. Os meus colegas no campo, os meus treinadores... Paco Fortes, Joaquim Sequeira, o doutor, como se chamava…., Fernando Belo. O presidente era médico no Algarve [ndr. Gomes Ferreira]. Conhecia toda a gente e era muito bom no clube também»

«A rede aqui é miserável, desculpe

«Ui, tantos. Tantos. Miguel Serôdio, Djukic, Hassan, Hajry…Era maravilhoso»

«Aquele Farense tinha muitos pontos fortes. O treinador era muito bom. Isso fazia a diferença. Tínhamos adeptos fantásticos também. O estádio estava sempre cheio. Até nos treinos estava sempre muita gente. Depois os jogadores conheciam-se bem. Havia muita união»

«O Farense vai estar sempre no meu coração».


Rufai ao serviço de um super-Farense

«Como lhe disse, vou a Portugal no mês que vem. Vou tentar rever algumas pessoas. Se vou só ao Algarve? Não, vou a mais lugares. Vou falar com alguns clubes. Muita gente não se lembra mas eu também joguei em Barcelos. Já agora, como está o Gil Vicente?

«Meias-finais? Isso é ótimo! Ótimo!»«Com o FC Porto? Ah ah ah ah. Que grande jogo! Olhe, como está o treinador…Magalhães? Disse bem?»



O génio de Baggio num duelo que não sai da cabeça de Rufai



«Os Mundiais foram experiências maravilhosas. É o ponto mais alto de qualquer carreira, o sonho de todos os jogadores» «Acho que a Nigéria poderia ter feito ainda melhor, sinceramente. Tínhamos equipa para mais»

«Em 1994 aquele jogo com a Itália [oitavos de final]…não me sai da cabeça, sabe? Estávamos a ganhar 1-0 a três minutos do fim, eles empataram e depois perdemos no prolongamento, com um penálti. O Baggio era um génio. Se tivéssemos ganhado aquele jogo íamos, no mínimo, às meias finais. Porquê? Lembra-se quem chegou lá? A Bulgária, a quem nós ganhamos 3-0 logo no primeiro jogo!»





«Mas aí já foi diferente. Começamos muito bem, ganhamos à Espanha, mas havia muitas lesões. Mas, claro, era um Mundial e todos queriam jogar, então houve muita gente a jogar nos limites. Não olharam a meios para jogar num Mundial. Com a Dinamarca foi muito mau e viemos para casa»,


A Nigéria de Rufai no Mundial 94

Poderia ter ido para o Sporting, mas Farense pediu-lhe para ficar



«Quando estava no Farense tive contactos com três clubes: Boavista, Sporting e Lyon. Nenhum avançou.»

«O que falhou? Olhe no caso do Sporting lembro-me bem, foi mesmo o Farense que me pediu para ficar e eu aceitei. Foi no final da época em que nos apurámos para a Taça UEFA. Não queriam que eu saísse e eu pensei que jogar a Taça UEFA ia ser muito bom e como gostava muito da minha vida no Algarve escolhi ficar. Se saísse não era bom para o clube. Preferiram deixar sair outros jogadores e eu fiquei»

«Nunca quis ser rei. Só queria ser futebolista»





«Nunca quis ser Rei. Se aceitasse não poderia ser futebolista. Eu sei que ia ter uma vida boa, porque seu sei como viviam os meus pais. Mas aquilo não era para mim. Não me fazia feliz. Eu queria era o futebol»



«Queria a relva, queria a rua, queria estar com os amigos, queria ensinar crianças a jogar futebol. Isso era que me dava alegria. Ser Rei não me dava essa alegria. Por isso abdiquei de tudo. Sabia que para jogar futebol tinha de abdicar de tudo. Há regras para o Rei e eu tinha de obedecer, claro. Por isso, não foi difícil dizer que não»



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