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«No Boavista diziam que eu era muito nervosinho e não gostava de coisas erradas. Depois surgiu um problema com o Manuel José. Fiz coisas erradas, ele também, mas se fosse hoje não tinha feito assim. Acabei por sair e não voltei a falar com ele. Gostava de o encontrar e conversar sobre isso. Não há espaço para mágoa no meu coração. Ele ajudou-me muito e aproveito para lhe pedir desculpa publicamente e garantir que não guardo ressentimentos», afirmou.

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Ora, partindo das declarações de Marlon, escutamos Manuel José, que lembrou tudo o que aconteceu. «Eu tinha uma boa relação com o Marlon, fui eu que o trouxe para Portugal, para o Sporting. Mas ele arranjou um problema e eu tive que o mandar embora. Deu uma entrevista em que, praticamente, dizia que no Boavista tudo era mau, menos o treinador e o presidente. Achava que tinha de ser o mais bem pago do plantel. Chegou tarde ao treino por causa dessa entrevista e quando soube o conteúdo percebi que tinha ali um conflito interno. Criou uma divisão», conta o treinador.

«Podia ter sido a melhor época do Boavista»

O caso tornou-se mais complicado quando Valentim Loureiro, então presidente do Boavista, tomou posição por Marlon. «O presidente ficou do lado dele e isso obrigou-me a mandá-lo embora. Saiu do Boavista porque eu quis. Quem mandava na equipa era eu. Tínhamos alguns brasileiros no plantel, o Nélson Bertolazzi dava-se muito bem com ele e eu disse-lhe que podia ir também. Se ficasse, por uns tempos, não ia ser opção. Ele ficou e voltou a jogar. Ainda nos foi muito útil», recorda.

Manuel José entende que a decisão tinha de ser tomada e vê-a como a mais correcta. O que não signifique que tenha sido a mais fácil: «Estamos a falar daquele que era o melhor marcador do Boavista e julgo que até estávamos em primeiro lugar do campeonato. Aquela tinha condições para ser a melhor época da história do Boavista.»

Depois do Boavista, a carreira de Marlon Brandão não se estendeu muito mais. Jogou no Valladolid, em Espanha, e esteve no campeonato norte-americano até pendurar as chuteiras.

As desculpas? Estão aceites. «Se estiver com ele, não tenho qualquer problema em falar com ele. Não vale a pena estar a exumar cadáveres. Foi mau para ele, foi mau para a equipa, mas já é passado. O Marlon que fique a saber que da minha parte não há ressentimentos. Não sou de guardar rancores, nunca o fui. Se estiver com ele vamos conversar normalmente, de certeza», assegura Manuel José.

Recorde um Boavista-F.C.Porto decidido por Marlon: