Fredy Montero disse em julho de 2013, na sua primeira entrevista em Portugal, quando chegou ao Sporting, que queria ficar na história do clube. E conseguiu-o.

Venceu a Taça de Portugal e uma Supertaça, marcando na prova rainha do futebol português o 2-2 frente ao Sp. Braga. Um golo aos 90+3 minutos, que levou o jogo para prolongamento e depois para as grandes penalidades, nas quais o Sporting venceu por 3-1.

Entre agosto de 2013 e janeiro de 2015, o avançando colombiano apontou 37 golos em 94 jogos com a camisola verde e branca. Nem todos completos, sobretudo esta temporada com Jorge Jesus no comando. Por isso, Montero partiu esta quinta-feira para a China orgulhoso com o conseguido, mas também com alguma certa mágoa.

Teve propostas do Hamburgo e do Corinthians, mas acabou por rumar ao Tianjin Teda. O Sporting não chegou a acordo com os outros clubes e a proposta da formação chinesa acabou por agradar a todas as partes.

Antes de rumar para Taijin, onde é esperado já na sexta-feira, o jogador falou aos jornalistas portugueses no aeroporto de Lisboa e em exclusivo ao Maisfutebol falou da passagem pelo Sporting.

Quais foram os melhores momentos de verde e branco?

Guardo muitos bons momentos no Sporting, mas destaco a vitória na Taça de Portugal e na Supertaça. São estas conquistas que nos marcam no futebol. São momentos inesquecíveis que nos ficam enquanto futebolistas e ao longo da carreira.

De que vai ter mais saudades?

De muita coisa, mas vou sentir falta sobretudo de Alvalade. Vou ter saudades da forma como Alvalade se alegrava e festejava os meus golos. Tenho a noção de que muita gente, adeptos do Sporting e conhecedores do futebol, gostaram da minha forma de jogar e do talento que demonstrei sempre que tive oportunidade de entrar em campo.

Teve três treinadores em Alvalade: Leonardo Jardim, Marco Silva e Jorge Jesus. Qual considera o melhor?

Não digo que um seja melhor do que outro, mas Jorge Jesus já venceu muitos títulos em Portugal e por isso ganha vantagem sobre os outros. Ainda assim, respeitando a qualidade de Leonardo Jardim e de Marco Silva, acho que Jorge Jesus encontrou a equipa mais madura e mais sólida e isso foi benéfico.

E a nível de jogadores, quais destacaria como os melhores?

Seria injusto dizer nomes, mas destaco os jovens jogadores do Sporting. Têm um potencial enorme. Dei-me conta de que o Sporting tem uma das academias mais fortes da Europa. Ao jogar, ao treinar e ao partilhar o balneário com eles, apercebi-me de que na formação do Sporting fazem um trabalho muito sério e sempre a o olhar para o futuro.

Posto isto, que balanço faz desta passagem pelo Sporting?

Faço um balanço muito positivo. A experiência no Sporting foi muito boa e correu muito bem. Estou muito orgulhoso pelo rendimento que tive, do carinho que toda a gente me deu e, claro, das coisas tão boas que consegui com esta camisola.

Quando chegou ao Sporting disse que queria ficar na história do clube. Acha que ficou?

Acho que sim, acho que fiquei. O Sporting não ganhava títulos há muitos anos e eu ajudei a que voltasse a ganhá-los. Nestes dois anos e meio consegui ajudar a ganhar a Taça de Portugal e a Supertaça. Na Taça marquei um golo importante e acho que vão sempre recordar-me por isso. Fiquei na história dessas conquistas.

Pela emotiva despedida, percebe-se que foi feliz em Lisboa e no Sporting. Gostava de um dia voltar a representar o clube?

Quando saímos tentamos sempre deixar as portas abertas para voltar. Mais ainda quando gostámos de representar os clubes. Acontece com todos os jogadores e comigo também. Estou muito feliz com a minha passagem pelo clube e por isso, claro, gostava de um dia voltar

A sua saída motivou muitas manifestações de insatisfação nas redes sociais. Como assistiu a isso? Era um dos jogadores mais queridos do plantel.

Com surpresa e satisfação. Tive um apoio enorme, recebi muitas palavras de alento, carinho e amor. Por isso estou sempre grato aos adeptos do Sporting e quero agradecer-lhes . Sempre que tive a oportunidade jogar, dei o melhor de mim e sempre defendi as cores do Sporting todas as forças. Eles sabem disso.

O que espera agora na China? Mais um continente, mais um clube: uma nova experiência.

Espero que corra tudo bem. Espero chegar bem, conhecer a minha nova equipa e o clube e poder adaptar-me ao futebol e ao país, para continuar a fazer aquilo que mais gosto e que tenho feito: jogar, marcar golos e ser feliz.