Depois de ter cumprido a segunda época em Israel, Miguel Vítor ainda tem mais dois anos de contrato e acredita que é pelo Hapoel Beer Sheva que passa o seu futuro próximo. Até porque, garante, sente-se muito bem num clube onde, além de tudo mais, é muito bem tratado pelos adeptos, que até lhe dedicaram um cântico.

Nesse sentido, e admitindo sem qualquer complexo que está num campeonato com menos visibilidade e que isso o afasta das escolhas da seleção.

Numa análise fria e sincera, o jogador defende mesmo que o seu tempo para a seleção terá passado e que não deverá ser por ele que passa a tão falada renovação da defesa da equipa nacional. 

«E é um mundo muito arrogante/ Onde tudo é dinheiro rápido/ E às vezes isso assusta-me/ Entre o que é certo e errado/ Eu não encontro qualquer sentido/ No que acontece ao meu redor... Miguel Vítor, Miguel Vítor...»

É mais ou menos isto que os adeptos do clube israelita cantam para o jogador português, conforme pode escutar no final deste artigo - se compreender hebráico, claro. E ao ouvir o jogador falar, percebe-se que os adeptos parecem conhecer bem o jogador que defende a camisola do Beer Sheva há dois anos.

Tem mais dois anos de contrato. Isso quer dizer que o futuro vai continuar a passar por Israel?

Pelo menos nos próximos dois anos, sim. Ainda por cima, com esta lesão, essa é mais uma garantia de que é isso que vai acontecer. Também porque estou muito contente aqui. O clube tem-me dado um grande apoio neste momento mais complicado, já me renovaram o contrato duas vezes, e isso demonstra que tem uma grande confiança em mim. E sinto-me muito acarinhado pelos adeptos, que me mostram o apoio, mesmo nestas fases menos boas. Estou bem adaptado ao país, as minhas filhas gostam muito de estar cá, por isso, tudo se conjuga para continuar cá.

Disse numa entrevista recente que acreditava que o facto de estar num campeonato com menos visibilidade o afastava das opções da seleção. Essa permanência quer dizer que a seleção já não é um objectivo?

Sim. Sinceramente é uma coisa que já saiu da minha cabeça. Sei que neste momento será muito complicado ou quase impossível isso acontecer. Estou num campeonato mais periférico e Portugal tem boas opções para o centro da defesa. Tem jovens a despontar, como o Rúben Dias, por exemplo. É algo que já saiu um bocado das minhas ambições, porque sei que dificilmente pode acontecer.

Mas esse é um dos setores que se insiste precisar de uma renovação. Acha que o seu nome não pode fazer parte dela?

Sinceramente, acho que não. Temos jogadores a competir em campeonatos melhores do que eu e, com certeza, passará por aí a renovação na defesa da seleção. Sei que passou o meu tempo e, estando num campeonato que não é tão visto e tão competitivo como outros, será muito complicado isso acontecer.

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Ouça a música que os adeptos do Hapoel Beer Sheva dedicam a Miguel Vítor.

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