Acima dele só Jonas e Slimani. Quando se olha para a lista de melhores marcadores da Liga portuguesa, o nome de Bruno Moreira é claramente a principal surpresa. O avançado do Paços de Ferreira soma 13 golos na Liga. Está longe da frente (menos dez golos do que Jonas) mas caminha a passos largos para se tornar o melhor marcador português do campeonato 2015/16.

Na época passada, também no Paços, fez dez golos em toda a época. «O meu objetivo era repetir essa marca», confessa nesta entrevista ao Maisfutebol. Já a superou.

Aproveitando a boa época da equipa de Jorge Simão, que vai valendo o 6º lugar na Liga, Bruno Moreira cresce com o grupo e ajuda-o, também, a crescer. Apontando a voos mais altos. Gostava de jogar num grande, mas diz que a «probabilidade maior» é o estrangeiro. Quando, é a dúvida.

Outra é a seleção. Alguma vez terá essa oportunidade? Seria o cumprir de um sonho ou, como o próprio agora garante, de um objetivo.

Bruno Moreira, o goleador da Mata Real

Vamos para a 22ª jornada e já bateu todos os números da época passada. Tem 13 golos na Liga e 17 ao todo. Esta é a melhor época da carreira?

Sem dúvida alguma que estou a atravessar a melhor fase da minha carreira. Tenho feito golos, tenho feito boas exibições e, aliado a isso, temos conseguido enquanto equipa bons resultados. O que tem feito a diferença é a qualidade dos nossos jogadores. Temos uma equipa com bastante qualidade, jogadores que podem decidir jogos tanto defensivamente como ofensivamente a qualquer momento. É isto que nos tem dado bons resultados.

A nível individual sente também que está, aos 28 anos, no ponto certo de maturação de um avançado?

Concordo. É uma idade em que normalmente o ponta de lança atinge o seu auge. Sou um avançado maduro, experiente, adquiri toda a qualidade que tenho nestes últimos dois anos e por isso concordo com essa ideia.

Estabeleceu alguma meta de golos para esta temporada?

Não tenho nenhuma meta. No início do campeonato pensava para mim que o objetivo era fazer os mesmos golos da época passada. Em meio ano consegui superar essa marca. Estou satisfeito, quero mais, como é óbvio, mas não tenho uma meta. Não vou dizer que quero chegar aos 20 golos ou aos 30. Quero mais, como é óbvio, mas o objetivo que tinha traçado ficou alcançado a partir do momento em que consegui superar a época passada.

Ser o melhor marcador português do campeonato não pode ser uma meta?

Seria um orgulho sem dúvida. Estou na frente e vou tentar lutar todos os fins de semana por manter esse estatuto. Seria um orgulho.

E tem o sonho de um dia ser o melhor marcador do campeonato?

Também. Claro que tenho esse sonho, mas posso dizer que, jogando no Paços, as probabilidades diminuem. Jogando num grande a facilidade em fazer golos é muito maior. Mas claro que é um sonho um dia ser o melhor marcador da Liga portuguesa.

 

Bruno Moreira em ação

 

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Este ano já marcou ao FC Porto e ao Sporting. É caso para o Benfica ficar preocupado?

Acho que não é caso para isso… (risos) Agora ainda falta para esse jogo. Não queria entrar por aí. Segunda-feira temos um jogo mais importante ainda. Sentia-me mais confortável a responder a essa pergunta a partir de segunda-feira…

Como reage o melhor marcador português do campeonato quando se diz que Portugal não consegue formar pontas de lança?

Acho que temos pontas de lança. Têm sido chamados vários à seleção até. É verdade que não têm pegado de estaca, não têm conseguido impor-se e fazer golos. Daí as pessoas acharem que não temos pontas de lança. Mas é algo que eu não acho. Há bons avançados.

O Bruno acalenta esperanças de ser chamado à seleção?

Quando chegam as convocatórias da seleção, a maior parte dos jogadores que lá entram jogam em grandes campeonatos, em grandes clubes. É mais difícil chegar quando se joga num clube mais pequeno. Eu tenho esse objetivo. Pelo que tenho vindo a fazer leva-me a crer que posso ser chamado. Tenho esse sonho que começa a passar a ser um objetivo. Fala-se tanto na falta de avançados e quando se é um avançado que está a fazer um ótimo campeonato e a fazer golos, temos de assumir o objetivo. Tento fazer o meu trabalho todos os dias, todos os fins de semana. Muito ou pouco, sei que as pessoas estão atentas.

Acha que já merecia uma chamada?

Não consigo dizer se merecia. Agora que ambiciono isso, isso sim. Não posso dizer que já merecia porque tenho a noção que jogo num clube pequeno em Portugal e isso torna as coisas mais difíceis. Não acho que devia ser assim, mas infelizmente é.

Jogar no Paços de Ferreira prejudica-o nesse objetivo de chegar à seleção?

Reduz as possibilidades, sim. Isso é notório.

Acha que é preconceito?

Não quero crer nisso. Como disse, o Paços tem vindo a crescer, já não joga para a manutenção, e acho que já deviam olhar para o Paços como um clube diferente. Mas em termos de seleção continuo a achar que olham para o Paços com um clube pequeno.

Uma possível chamada para o Europeu era uma surpresa para si?

Posso dizer que sim, que era uma surpresa. É um sonho e um objetivo que tenho. Mas era uma surpresa porque nunca lá estive. Vai haver agora outra convocatória em março…quem sabe? Eu trabalho para isso. Pode ser que sim…

Em relação ao seu futuro, falou-se de uma possível mudança para a China. Esse cenário interessava-lhe?

Depende. Se tens como sonho ou objetivo chegar à seleção nacional, pensar em ir para a China seria completamente desistir disso. Agora como um jogador de 28 anos, tendo uma proposta da China ou que seja financeiramente capaz de resolver a tua vida, não diria não. Mas quando se tem o objetivo da seleção, a possibilidade China tem de estar fora de questão.

Consegue, então, garantir que fica no Paços até ao final da época?

Não posso garantir porque ainda há mercados abertos. Pode haver a possibilidade de sair, como há a possibilidade de ficar. Sem dúvida alguma que trabalho todos os dias para dar um salto ainda maior. Agora se será agora, no final da época ou no próximo ano não posso dizer. Tanto posso sair este mês, como ficar até ao final do ano, como renovar com o Paços. Está tudo em aberto e irei tomar a melhor opção.

Preferia jogar num grande em Portugal ou mudar-se para uma Liga estrangeira de topo?

É óbvio que a minha preferência era ficar cá em Portugal e se possível num grande. Era a cereja no topo do bolo. Sei que há mercados muito atrativos. Têm surgido muitas sondagens. Dou preferência ao campeonato português, se for para um grande, mas há muita probabilidade de ir para fora.

Chegou-se a falar nesta janela de inverno na possibilidade de ir para o Sporting. Houve alguma abordagem nesse sentido?

Soube pelos jornais. Nada me chegou em concreto.