Em janeiro de 2012, Mauro Caballero surgiu nas manchetes dos jornais portugueses. FC Porto e Benfica lutavam pelo avançado paraguaio, um menino prodígio do Libertad, ainda desconhecido na Europa.

Os dragões ganharam a corrida e ofereceram-lhe um contrato válido até junho de 2018. As águias negaram qualquer interesse oficial no esquerdino. 

Quatro anos depois, Mauro Caballero continua sem se impor no plantel principal do FC Porto. Depois de empréstimos razoavelmente bem sucedidos a Penafiel e Desp. Aves, especialmente o segundo, o atacante procura golos e competição ao mais alto nível na I Divisão da Suíça.

Caballero está no FC Vaduz, o maior clube do principado do Liechtenstein, integrado no sistema desportivo helvético. Arrancou bem, marcou um golo numa pré-eliminatória da Liga Europa e lesionou-se.

Em entrevista ao Maisfutebol, a primeira desde a saída do FC Porto por empréstimo, Mauro Caballero fala da vida no minúsculo Estado e da ambição de voltar a vestir de azul e branco. Consciente da época negativa, o paraguaio pede mesmo aos responsáveis dos dragões para terem paciência. O valor, insiste, continua lá.

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15 jogos e um golo. Como explica estes números pobres no FC Vaduz?

«Com a lesão grave que sofri em agosto. Num joelho. Parei mais de dois meses. Foi mau para mim, porque comecei bem e até marquei num jogo da Liga Europa [23 de julho, ao Nomme Kalju]. Voltei motivado e fiz vários jogos bons até à paragem de inverno. Infelizmente, nos últimos jogos tenho jogado poucos minutos. Não gosto, mas sou profissional e devo respeitar. Ainda por cima estamos no último lugar. Eu preciso de golos e o FC Vaduz de pontos».

Que clube encontrou na capital do Liechtenstein?

«Um clube muito organizado e com excelentes condições de trabalho. Temos um estádio onde joga a seleção do Principado e mais quatro campos de treino, por exemplo. O FC Vaduz joga bom futebol, futebol positivo, mas está naquela fase em que a falta de pontos começa a condicionar tudo».

Fez uma boa época no Aves (16 golos em 45 jogos). O que o levou a escolher este projeto?

«Primeiro, a forma como o FC Vaduz me abordou. Foram fantásticos e fizeram-me sentir importante. Depois, a possibilidade de jogar na I Liga da Suíça e na Liga Europa. Não estou nada arrependido, aliás só posso estar agradecido por esta oportunidade. Joguei nas provas da UEFA, marquei um golo e acredito que até ao final da época vou ter bons momentos. Estas últimas semanas é que têm sido mais difíceis…»

O golo de Mauro Caballero na Liga Europa:

Vive num país com 30 mil habitantes. Já tinha ouvido falar do Liechtenstein?

«No Paraguai, nunca (risos). Em Portugal, sim, por causa da seleção de futebol. Isto é pura tranquilidade, é um paraíso! Todas as pessoas deviam conhecer estas montanhas e respirar este ar puro. Ao fim de semana não se passa nada, toda a gente convive em casa de amigos. Estamos rodeados pelos Alpes e o Reno».

É o único hispânico do plantel. Como comunica com os seus colegas?

«Bem, é inacreditável, mas os meus colegas são tão bons que até se inscreveram em aulas de Espanhol. Não sei se foi para agradar-me ou porque gostam da língua (risos). O Peter Jehle jogou em Portugal, dois anos no Boavista, e tem sido um grande apoio. O Niki Hasler e o Franz Burgmaier são jogadores da casa e estão sempre prontos a ajudar-me. Estou bem integrado».

Tem falado ao longo da época com os responsáveis do FC Porto?

«Falo todas as semanas com as pessoas do FC Porto, sim. Acompanharam com muito cuidado a minha lesão e estão constantemente a perguntar-me como me sinto, se vou jogar, se tenho treinado bem…»

O seu contrato com o FC Porto acaba em 2018. Já sabe o que lhe reserva a próxima época?

«Sinceramente, não. Nada. Nesta altura, a única certeza que tenho é esta: preciso de fazer mais golos e assistências no FC Vaduz. Peço ao FC Porto para não desistir de mim».

Sente ter capacidade para integrar o plantel do FC Porto?

«Gostava de fazer pelo menos a pré-temporada com a equipa. E aí, sim, treinar bem e mostrar o meu valor. Sem lesões. Sonho com a equipa A do Porto, claro. Quero ser útil, mas se não for possível… seguirei a minha vida. Não tenho nada a apontar aos dirigentes e aos treinadores do FC Porto».