Portugal recuou demasiado no terreno, e a Espanha acordou, garantindo o necessário para continuar em prova.

Do «tiqui-taca» ao «toca e foge»

Carlos Queiroz surpreendeu mais uma vez, na construção do «onze». O seleccionador já tinha assumido que o encontro com o Brasil tinha sido um bom jogo-treino (entre aspas) para este duelo com a Espanha, e vai daí decidiu repetir a titularidade de Ricardo Costa e Pepe, com a intenção de manter a coesão defensiva.

Mesmo com todos estes cuidados, é justo dizer que o «tiqui-taca» criou muitas dificuldades a Portugal, na fase inicial do jogo. Sem acertar com as marcações, sobretudo na zona central, a equipa das quinas consentiu três remates perigosos em apenas sete minutos de jogo, e todos provenientes do lado esquerdo do ataque espanhol. Primeiro foi Torres a aparecer nessa zona (logo no primeiro minuto), e depois David Villa (3 e 7), sempre para defesa apertada de Eduardo.

O primeiro remate português só surge aos 17 minutos, com um livre de Ronaldo que Casillas agarrou com facilidade. Era o sinal de que o jogo estava a mudar. Com as marcações mais consolidadas, e com um consequente acréscimo da posse de bola, a selecção portuguesa aproximou-se mais da baliza espanhola. Tiago e Cristiano Ronaldo, este último de livre, obrigaram Iker Casillas a fazer defesas incompletas. O contra-ataque e as bolas paradas continuavam a ser as principais armas, claro.

Em contraste total com o início do jogo, Portugal acaba o primeiro tempo junto da área adversária, com duas cabeçadas perigosas, protagonizadas por Hugo Almeida e Tiago, que atiraram ao lado.

Do bloco de notas do professor saiu a mensagem errada

O início do segundo tempo parecia confirmar que a estratégia portuguesa estava bem consolidada. O primeiro lance de perigo até surge junto da baliza espanhola, com Puyol quase a fazer autogolo, após jogada de Hugo Almeida (52m).

Seis minutos depois, ambos os técnicos decidiram fazer a primeira substituição, e foi aí que Portugal começou a perder o jogo. Carlos Queiroz retirou profundidade à equipa, trocando Hugo Almeida por Danny; Vicente del Bosque fez o contrário, apostando em Llorente para o lugar de Torres.

Intencional ou não, a mensagem que Queiroz passou para dentro do campo foi a de que era preciso continuar a «encolher». Do lado espanhol o recado foi precisamente o oposto. O que é certo é que a equipa portuguesa voltou aos quinze minutos iniciais do encontro. Llorente estava em campo há apenas dois minutos quando apareceu solto na área, e obrigou Eduardo a defesa apertada. Depois apareceu David Villa. Primeiro com um remate a passar bem perto do poste, e depois com o golo. Eduardo ainda defendeu o primeiro remate, mas já nada podia fazer em relação à recarga. Aos 63 minutos, a equipa das quinas sofria um duro golpe nas suas aspirações.

O grande defeito da estratégia portuguesa é que não havia plano B. Hugo Almeida até tinha saído, pelo que não havia sequer um «pilar» para colocar na frente. Queiroz ainda lançou Liedson e Pedro Mendes (e Deco?!), mas a Espanha já estava na sua «praia», com espaço para circular a bola.

Portugal foi incapaz de encostas a Espanha «às cordas», e por isso o golo do empate nunca esteve perto, na verdade. A (injusta) expulsão de Ricardo Costa acabou por sentenciar a eliminação lusa.