Maisfutebol: Esta foi a melhor época de sempre
do Ricardo Quaresma?
Quaresma: Como profissional foi.
Sente-se um jogador diferente?
Sinto.
Sinto-me um jogador mais de equipa, mais maduro, mais completo. Aprendi muito este ano.
Aprendeu muito com Adriaanse
ou porque sentiu que esta teria de ser a sua época?
O Adriaanse foi importante porque ensinou-me muita coisa. Sobretudo
tacticamente. Ensinou-me quais os momentos em que tinha que passar e em que tinha que chutar. Isto era algo que eu há um ano
talvez ainda não compreendesse muito bem. Foi muito importante para mim, mas é claro que eu também me meti na cabeça que tinha
que evoluir. Fico feliz comigo mesmo porque consegui fazer o que o mister Adriaanse queria e o que eu queria também,
que era evoluir e ajudar o F.C. Porto. Este foi o ano em que me consegui impor numa equipa recheada de grandes jogadores e
cheguei a um ponto em que me sentia titular, algo que nos outros clubes nunca senti. É importante chegar a um clube e sentir
que nos dão valor, carinho e importância. É bom sentir que a equipa está sempre à espera que tu consigas resolver e possas
ajudar. Talvez tenha sido isso que me deu ainda mais vontade de trabalhar mais, para ajudar mais a minha equipa. Mas só fiz
uma grande época derivado ao grupo que o F.C. Porto tem, que está recheado de grandes jogadores. Do guarda-redes aos que não
eram convocados, todos eram grandes jogadores.
Situações que se passaram no F.C. Porto, como os afastamentos de
Jorge Costa, Hélder Postiga e Diego, ou a perda de titularidade de Vitor Baía, ajudaram-no a crescer?
Claro que
vamos aprendendo coisas de ano para ano e uma das coisas que aprendi é que as pessoas esquecem rápido. Aprendi muita coisa
este ano, tanto a nível profissional como pessoal, e vi muita coisa que me faz trabalhar ainda mais de dia para dia para que
não me aconteça a mim. Todos conhecem o Jorge Costa e o Baía e talvez o Jorge não tenha saído da melhor forma, mas são coisas
que só as pessoas da SAD e o próprio Jorge Costa podem explicar. Sempre admirei o Jorge Costa e continuo a admirar. Desde
que entrei no F.C. Porto ajudou-me muito e a verdade é que o futebol é momento e nós temos que aproveitar os momentos. Quando
estamos num momento mau todos esquecem o nosso valor.
A entrada de Adriaanse, proibindo o uso de acessórios, como
que vos pôs em sentido?
Isso são coisas que nós só temos que respeitar. Ele não disse que fora de campo não podíamos
andar com brincos, chapéus, anéis ou fosse o que fosse. Dentro do espaço de trabalho pediu-nos para tirar e só temos que respeitar
isso, pois nós também não podemos jogar com anéis ou brincos. Por isso, temos de treinar como jogamos.
Essas ideias
chocaram-no?
Não me chocou nada. Houve muita gente que estava à espera que eu reagisse a isso, mas eu sempre soube
lidar com isso. Se não ia jogar com acessórios também não ia treinar com eles e não me custou nada tirá-los.
O que
é que foi determinante neste F.C. Porto? O afastamento de jogadores?
Acho que foi a maneira do Adriaanse trabalhar
e se impor. Penso que ele ganhou a cabina, ganhou o respeito dos jogadores e que isso foi o mais importante.
Ele
é um disciplinador?
É uma pessoa inteligente. Sabe lidar com os jogadores, todos sabemos que cada um tem o seu feitio
e uma coisa que admiro no mister é que ele sabe lidar com o feitio de cada um e colocou todos a trabalhar da mesma
maneira. Conseguiu adaptar as ideias dele a cada elemento do grupo e penso que isso é o mais importante numa equipa.
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