O jornal espanhol Marca publica nesta quinta-feira uma reportagem de duas páginas sobre o modelo do F.C. Porto. Antero Henrique, agora vice-presidente e homem forte do futebol portista, explica alguns conceitos implementados ao longo dos últimos anos.

«Em 2004, quando Mourinho partiu, fiz um ano de transição para estudar o clube a fundo. Na época 2005/06, implementámos o sistema atual em todas as nossas secções: futebol, andebol, hóquei, etc. Queríamos uma estrutura que resistisse à passagem dos treinadores», frisa Antero Henrique, na notícia publicada com o título «El Rey Midas el Fútbol» e assinada pelo jornalista Alberto Rubio.

A existência de um team manager é uma das marcas do F.C. Porto atual. O apoio à família assume particular relevância. «Fomos pioneiros neste capítulo e o Real Madrid copiou-nos. Se precisam de algo, aqui estamos. Ajudamos com a integração, procuramos colégio para os filhos, providenciamos carros, telemóveis. A ideia é que só se preocupem em jogar futebol.»

Comprar bem e vender melhor são pressupostos que vão intrigando os agentes desportivos internacionais. O jornal Marca fala de uma rede com 200 olheiros. «Para além disso, temos de ser pacientes», salienta Antero Henrique, apontando dois exemplos: «Alex Sandro e James ainda estavam no início da carreiras.»

«Como clube trabalhamos com um plano de 15 anos, mas com os jogadores marcamos um ciclo de três anos. É algo lógico. Sabemos que virão clubes mais fortes com os quais não conseguimos competir», remata o dirigente que trabalha diretamente com Pinto da Costa.

Adelino Caldeira, administrador da SAD do F.C. Porto, também falou para o jornal espanhol. «Os nossos salários são um quarto ou um terço do que outros clubes podem pagar. Por isso, temos de reduzir riscos no momento das contratações.» A Marca relata a existência de quatro categorias salariais no clube. «Os rendimentos surgem em função dos bónus: por títulos, por jogos ou troféus individuais. Trata-se de uma forma de incentivar os jogadores.»

No futuro próximo, o F.C. Porto pretende unir talentos e forçar um plantel único para as equipas A, B e sub-19.

Um plantel para três equipas diferentes, A, B e sub-19. «Kelvin é o melhor exemplo dessa simbiose. Treinava com a equipa principal e jogava com regularidade pela equipa B. Mesmo assim, marcou o golo que nos deu o título frente ao Benfica», remata Rui Cerqueira, diretor de comunicação do clube.