Se lhe perguntasse qual o treinador da Europa civilizada que mais jogadores utilizou em 2014/15 talvez caísse na tentação de responder Julen Lopetegui, não? Pois, esqueça.

Maisfutebol olhou para o número de jogadores utilizados pelas equipas dos campeonatos português, inglês, alemão, espanhol, italiano e francês que jogam na Liga dos Campeões e chegou a uma conclusão talvez surpreendente. O treinador que utilizou mais futebolistas até agora é português e chama-se Jorge Jesus.

O treinador do Benfica pôs em campo 28 jogadores. Claro que o número está inflacionado devido ao recente jogo na Covilhã, para a Taça, mas em outros países também já houve competições de segunda linha.

Em Portugal, Julen Lopetegui utilizou até agora 22 jogadores em onze partidas e Marco Silva fez jogar 21 futebolistas, em dez jogos.

Estes números, de resto, estão em linha com o fazem os treinadores das principais equipas dos campeonatos referidos acima. Em comum têm a participação nas provas nacionais, mais a Liga dos Campeões. Eis a lista de jogadores que já competiram por esses emblemas, em 2014/15 

Portugal

Benfica, 28

FC Porto, 22

Sporting, 21

Espanha

Barcelona, 21

Real Madrid, 21

Atlético Madrid, 21

At, Bilbao, 20

França

PSG, 21

Mónaco, 20 

Inglaterra

Chelsea, 21

Manchester City, 20

Arsenal, 22

Liverpool, 21

Alemanha

Bayern Munique, 21 

Dortmund, 23

Schalke, 22

Bayer Leverkusen, 22

Itália

Juventus, 21

Roma, 23

Ou seja, o Benfica é o único a destoar. Frente ao Sp. Covilhã, Jesus fez alinhar cinco jogadores pela primeira vez em jogos oficiais 2014/15 (Lindelof, Nelson Oliveira, Gonçalo Guedes, Benito e César). Mesmo que tivesse optado por rodar um pouco menos o plantel, ainda assim estaria com 23 futebolistas em onze partidas, um valor no limite mais elevado.

Esta análise permite esclarecer que Julen Lopetegui não está a utilizar um número excessivo de jogadores. Em 12 jogos fez alinhar 22 futebolistas, o que está em linha com as práticas dos grandes clubes europeus. Olhada a partir deste ângulo, a rotatividade do treinador do FC Porto nada tem de especial ou diferente. Em menos dois jogos, Marco Silva utilizou apenas menos um jogador do Lopetegui. Se excluíssemos a posição de guarda-redes estariam iguais.   

Maisfutebol olhou para outros parâmetros.

Será que o FC Porto está a dar menos minutos aos jogadores mais importantes do que os rivais? Se fosse assim, vingaria a tese dos que acham que Lopetegui está a poupar o plantel, a pensar nos meses que estão pela frente.

Para atingir uma conclusão olhámos para o número de jogadores com mais de metade dos minutos possíveis. O resultado foi este:

FC Porto: 11 jogadores com mais de 550 minutos

Sporting : 11 jogadores com mais de 450 minutos   

Benfica: 10 jogadores com mais de 500 minutos

Se a análise tiver em conta o número de jogos, a resposta é esta:

FC Porto: 11 jogadores com pelo menos seis jogos

Sporting: 11 jogadores com pelo menos seis jogos   

Benfica: 10 jogadores com pelo menos seis jogos

Ou seja, não há diferenças que mereçam análise aprofundada.

Lopetegui distingue-se apenas num aspeto: dos 22 jogadores utilizados, 21 começaram pelo menos um jogo de início. Reyes, duas vezes suplente utilizado, é a exceção.

No Benfica, Jesus deu a titularidade a 24 jogadores. Mas sem a partida Covilhã teriam sido apenas 18.

No Sporting, Marco Silva já teve 19 titulares em dez partidas, menos duas do que os portistas, por exemplo. 

Este facto permitiria fazer uma outra pergunta: será que o FC Porto não tem um núcleo duro?

Para tentarmos responder a esta questão procurámos o número de jogadores que jogaram todas, menos uma ou menos duas partidas da sua equipa. Esses são os essenciais, o núcleo duro. O resultado foi este:

Benfica: 11

FC Porto: 10

Sporting: 10

Mais uma vez não se detetam alterações significativas.

Lopetegui, o que não repete um onze

O treinador do FC Porto tem sido acusado de não repetir um onze (sobre isto, um trabalho do Vítor Hugo Alvarenga). Ele defende-se e diz que procura sempre a melhor equipa para o jogo seguinte. Mas para os adeptos e críticos a ideia parece discutível. 

 

Curiosamente, dois treinadores espanhóis pensam da mesma forma e não estão a dar-se mal. 

No Barcelona, que ainda não sofreu qualquer golo no campeonato espanhol, Luis Enrique tem alterado sempre o onze. Mexe em todos os setores, sobretudo na defesa. Mesmo na Liga dos Campeões, alterar é a norma.

Na Alemanha, Guardiola faz exatamente o mesmo. E também não hesita em introduzir mudanças no setor mais recuado. Um e outro não mexem na baliza (uma regra, apenas com duas exceções), um aspeto que não é partilhado por Lopetegui, como se sabe. 

Ambos os clubes alteraram sempre a defesa, o que parece contrariar aquela ideia que aconselha a construir as equipas a partir de trás.    

Em Portugal, Jorge Jesus e Marco Silva fizeram alinhar o mesmo onze em dois jogos consecutivos apenas em três ocasiões. Como se percebe, essa está longe de ser a norma. Por lesões, castigos ou simples opção, os treinadores de Benfica e Sporting também têm mexido muito.

Na baliza, Jorge Jesus já teve três guarda-redes. Marco Silva mantém Rui Patrício.

O Benfica já utilizou diversos laterais: Maxi, André Almeida, Eliseu e Benito. O Sporting fez jogar Cédric, Esgaio, Jefferson e Jonathan.  O FC Porto também já teve quatro: Danilo, Ricardo, Alex Sandro e José Angel. 

No centro da defesa, o FC Porto leva quatro centrais, o Benfica outros tantos e o clube de Alvalade três.

No Sporting, à frente da defesa joga sempre William. Quando esteve castigado avançou Rosell. Jesus já experimentou Ruben Amorim, André Almeida, Samaris e Cristante. Lopetegui começou com Ruben Neves, já utilizou Casemiro e Marcano.

O Spoting já experimentou oito jogadores de ataque. O Benfica já vai em dez. O FC Porto utilizou oito.

Tudo somado, não resulta claro que Lopetegui esteja a fazer algo assim tão diferente de Jorge Jesus e Marco Silva. O FC Porto não está a poupar os seus jogadores mais importantes e deve ser tido em conta que nesta altura da época tem mais dois jogos do que o Sporting e mais um do que o Benfica, o que influencia um pouco as contas.

Fora da Taça, a quatro pontos do Benfica na Liga e com um início de Liga dos Campeões agradável, procurar na rotatividade de Lopetegui a explicação para tudo o que se passa no Dragão é ver curto. Dizem os números.

* Ok, sou capaz de ter exagerado um pouco no título, Mas vocês percebem a ideia.