DESTINO: 80's é uma nova rubrica do Maisfutebol: recupera personagens e memórias dessa década marcante do futebol. Viagens carregadas de nostalgia e saudosismo, sempre com bom humor e imagens inesquecíveis. DESTINO: 80's.

ELÓI: FC PORTO, 1985 a 1987; BOAVISTA, 1988/89

Pé esquerdo delicado, especialista na marcação de livres, farta cabeleira loira e bigode a condizer. Era impossível não olhar para Elói e sentir uma forte cumplicidade com a personagem.

«Os meus cabelos caíram, a minha permanente morreu. Foi para o armário das memórias», dispara, atrás de uma gargalhada, o Elói do FC Porto e do Boavista. Ilustre cinquentão, figura inesquecível, contador de histórias sem fim.

Vamos à primeira.

«Eu era o único jogador do plantel do FC Porto que jantava em casa do senhor Pinto da Costa. Na altura da minha transferência criámos uma boa relação, ele gostava muito de mim. Eu levava a minha esposa e lá íamos nós. Era uma figura de grande educação e elegância», recorda.

«FUI IMBECIL, FUGI PARA O BRASIL ANTES DA FINAL DE VIENA»

E chega mais uma.

«Eu tive um problema gravíssimo em Portugal», avisa o Maisfutebol. «Num estágio em Faro, eu e o Paulo Ricardo [atacante do FC Porto entre 1985 e 1987] fomos passear e combinámos tirar fotografias às mulheres mais bonitas que víssemos».

O que vem aí?

«Duas delas acharam piada e tiraram uma foto abraçadas a mim. Ambas. Bem, revelei as imagens e a minha esposa viu-as. Eu não tinha feito nada além daquilo, mas ela ficou furiosa e quase regressou ao Brasil. Foi mau, muito mau, mas tudo se resolveu».

Um golo de Elói num Boavista-Benfica (1988/89):

Agora, uma revelação curiosíssima.

«Poucos sabem, mas eu simpatizei com o Benfica até aos 17 anos. O meu bairro tinha o nome do clube e eu arranjei uma foto muito bonita. Até cheguei a jogar num pequeno clube carioca chamado Benfica. Bem, acho que no FC Porto nunca contei isto. Depois fiquei portista, com orgulho».

No FC Porto, Elói jogou com «grandes jogadores». Três deles merecem uma referência especial. «O Madjer foi o jogador com melhor técnica que vi em toda a minha vida; o meu favorito, no entanto, era o Futre, um portento de velocidade e agilidade; a figura mais importante na equipa foi sempre o Fernando Gomes, uma verdadeira instituição».

Elói mantem contato com Lima Pereira, mas também com os compatriotas «Celso, Juary, Ralph e Edevaldo».

Do Boavista, para onde foi em 1988, «já com 33 anos», elogia «a qualidade da equipa». «Acabámos no quarto lugar e lembro-me que marquei golos ao FC Porto e ao Benfica».

Tudo certo, seu Elói. «Havia menos pressão e eu jogava mais à vontade. Fiz uma bela temporada e só tive um probleminha com o major Valentim Loureiro. Uma pequena questão financeira, nada de especial. Tenho o Boavistão no meu coração também».

Golo de Elói pelo Boavista ao Sp. Farense (1988/89):