Não é fácil escrever sobre este argentino. Mariano sobrevive numa espécie de relação amor/ódio com a massa associativa. E sobrevive, principalmente, porque Jesualdo Ferreira não o deixa cair. O antigo jogador do Inter é um atleta estranho, de facto. Diferente. Irregular, capaz do melhor e do pior na mesma jogada. O minuto 61, de resto, é a síntese do seu futebol. Ultrapassa em habilidade dois defesas, as bancadas empolgam-se e logo a seguir centra de forma perfeitamente disparatada. Muito racionalmente, que jogador é este? É um jogador com preocupantes níveis de instabilidade, acima de tudo. Tecnicamente é limitado, principalmente ao nível da recepção, mas possui também muitas valências: forte fisicamente, abnegado, experiente, dinâmico se estiver devidamente moralizado. Marcou o primeiro golo e cruzou para o segundo. Sai com as baterias anímicas carregadas, apesar de 60 minutos paupérrimos.
Farías, a importância de ser Ernesto
Tem uma relação privilegiada com o golo. Aprecie-se, ou não, o estilo. Lançado uma vez mais num período crítico do jogo,
respondeu com as armas do costume: concentração e ferocidade máxima na área de finalização. Um golo pleno de oportunidade,
outro culminado com um pontapé cirúrgico. Um suplente de luxo. Apesar do papel secundário dentro do plantel, é importante
ser Ernesto.
Falcao, a falhar o que não pode
Segunda partida consecutiva a falhar escandalosamente um
golo feito. Depois do APOEL, a Académica. O colombiano tem demonstrado atributos de excelência, mas terá de recuperar a frieza
e a mordacidade na cara dos guarda-redes contrários. Farías está à espreita e fez dois golos em 30 minutos.
Raul
Meireles, longe de ser comandante
Claramente abaixo do expectável. O F.C. Porto precisa urgentemente de um patrão
para o período pós-Lucho e Raul Meireles não se consegue assumir nesse papel. Mais um jogo fraco, num início de época decepcionante.
Miguel Pedro, momento soberbo
Grande golo de um jogador que promete mais do que mostra. Senhor de uma
técnica individual soberba, Miguel Pedro está a chegar àquela fase em que tem de aplicar uma dose generosa de consistência
ao seu futebol. Repita-se, porém: um golo fantástico no Estádio do Dragão.
Rui Nereu, uma segunda vida
André
Villas Boas terá gostado do que fez no jogo da Taça de Portugal e entregou-lhe a baliza. Na primeira vez a titular em jogos
da Liga 2009/10, o guarda-redes formado no Benfica respondeu com serenidade. Aproveitou a frágil labareda do adversário para
ir ganhando confiança e fez a primeira defesa apenas aos 41 minutos, imagine-se! Tem aqui uma bela oportunidade para contrariar
a opinião dos maledicentes. Aqueles que sempre consideraram não ter qualidade para jogar num grande clube. Defesa extraordinária
aos pés de Falcao, a dez minutos do fim. Sem hipóteses nos golos.
Pedrinho, o pragmatismo fica-lhe bem
Lateral
de vistas largas. Ofensivo, veloz, não raras vezes sonhador. Esta última característica tem limitado a sua evolução na Liga.
Prejudica-se por arriscar em demasia, não raras vezes. No Dragão mostrou estar mais pragmático. Segurou Rodríguez nos primeiros
instantes, parou Hulk três ou quatro vezes sem falta e ainda teve forças para apoiar Sougou. Tem 24 anos e futebol suficiente
para fazer uma carreira bonita.
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