Ora como o tema era precisamente a época do F.C. Porto, e perante uma plateia de associados e adeptos que não calaram alguma frustração pelo desempenho portista, Pinto da Costa falou de tudo. Falou da programação da época, explicou com todos os pormenores o que levou às contratações, e depois aos afastamentos, dos vários treinadores, culpou José Mourinho pela má época e não deixou de assumir quota-parte de responsabilidades no fracasso azul e branco.
Programação da época
«Toda a gente sabe a importância que o Mourinho teve no F.C. Porto.
Nós preparámos esta época a pensar que o Mourinho ia continuar porque tinha, não mais um, mas mais dois anos de contrato.
Em Abril apercebemo-nos de que ele ia sair, numa altura em que a época já estava preparada por ele. Perdemos três jogadores
que estávamos a pensar manter exactamente porque no programa do Mourinho estava a necessidade de mantê-los. Podem dizer que
nós é que os vendemos, mas tirando o Milão nenhuma equipa tem capacidade para recusar qualquer oferta milionária por um jogador,
e o próprio Real Madrid por exemplo vendeu o Makelele ao Chelsea por razões financeiras».
Del Neri
«Sabendo
que Mourinho não ia ficar, começámos a procurar outro treinador mas não foi fácil porque em Abril já estão quase todos comprometidos.
Encontrámos o Del Neri que teve de trabalhar com uma equipa que não era a que queria porque em Itália o tipo de jogadores
e o sistema de jogo que utilizam nas suas equipas não são os mesmos de Mourinho. A época não começou bem e piorou com Del
Neri. A gota de água foi ter dado dois dias de folga aos jogadores, ter viajado para Itália, telefonar no dia do regresso
a dizer que só chegava no dia seguinte às três da tarde e acabar por só chegar às onze da noite. Terminou aí o ciclo de Del
Neri».
Fernández
«Fernández tinha uma mentalidade próxima da portuguesa. No Verão não estava disponível
porque tinha a ideia de ir para a selecção espanhola, mas não foi e acabou por ficar livre. Era uma pessoa excelente, de um
trato pessoal fantástico, mas não impunha regras. Um exemplo disso aconteceu no Natal quando resolveu dar uma semana de férias
aos jogadores numa altura crucial da época. O plantel tinha folgas de 23 a 30 de Dezembro, regressava ao trabalho no dia 30,
voltava a ter uma folga no dia 31 e trabalhava dia 1 de Janeiro à tarde. Tentei chamar Fernández à razão, mas ele disse-me
que era esse o plano dele. Ora chegou o dia 30, o dia 31 e só no dia 1 é que os brasileiros apareceram. Perante aquele comportamento
tive de chamar Fernández e disse-lhe que aquilo era sobretudo uma falta de respeito para ele. Ele respondeu-me que não havia
problema e que o melhor era esquecer aquilo tudo. Fernández era para ficar até ao fim da época, mas depois daquilo não havia
nada a fazer».Comentar este artigo

