A noite de Penafiel serve de paradigma de toda uma época, em que a equipa azul e branca deu a sensação de ser superior aos adversários, mas não conseguiu «matar» os jogos quando teve oportunidade para tal, permitindo aproximações perigosas. Venceu no Estádio 25 de Abril com apenas um golo, alcançado na marcação de uma grande penalidade que castigou falta duvidosa de Nuno Diogo sobre Ibson, mas fartou-se de falhar oportunidades junto à baliza de Nuno Santos. O guarda-redes, aliás, foi uma das figuras da partida, não fosse ele¿ sportinguista.
Os dragões chegam à 32ª jornada com um «score» exemplar, levando oito triunfos consecutivos após a derrota na Luz. Neste período somaram quinze golos e não sofreram nenhum, o que evidencia uma enorme regularidade. Em termos gerais, a formação orientada por Co Adriaanse também possui o melhor ataque e a melhor defesa, levando mais vitórias e menos derrotas do que qualquer outra equipa. Elucidativo.
Adriano decide, outra vez
A festa estava montada e só se esperava que o líder vencesse no terreno do «laterna vermelha». A distância pontual era gigantesca, pelo que ninguém esperaria grandes dificuldades. O resultado não espelha o domínio portista, que de princípio a fim assumiu um controlo avassalador da partida, e criou mais de vinte oportunidades para marcar, mas só por uma vez conseguiu celebrar. E de grande penalidade.
Seria fastidioso enumerar todas as vezes que os jogadores do Porto tentaram o golo, pelo que basta elogiar a actuação de Nuno Santos, assim como os centrais Weligton e Nuno Diogo, para além do azar (e alguma aselhice) de Benni McCarthy (ao poste e muitos remates transviados), Jorginho (à barra), Raul Meireles ou Hugo Almeida. Até que chegou o tal golo de Adriano, logo nos primeiros instantes do segundo tempo. A partir dai, assistiu-se a um festival de oportunidades falhadas por parte dos dragões e até dois sustos provocados pelos penafidelenses já nos segundos finais, que podiam ter adiado a festa.
Festa estragada
A Liga não pode autorizar estádios assim. Respeitando a instituição, é preciso dizer que o Penafiel, pelo menos com o Estádio 25 de Abril, não merece estar junto dos principais clube do futebol português. Não tem condições para receber um jogo em condições, pois não proporciona conforto, nem segurança. O que se viu nos instantes finais da partida é triste e a culpa não é exclusivamente dos adeptos irresponsáveis, dado que naquele topo sul havia gente a mais para tão pouco espaço.
Ironicamente, foram os adeptos portistas (maioritariamente associados às claques) que decidiram invadir o terreno do jogo quando este ainda nem sequer tinha terminado, lançando o pânico entre os jogadores, que fugiram para os balneários. Adriano, afinal o herói da partida, atrasou-se e foi para junto dos colegas apenas com a roupa interior. Com ajuda do «speaker», que teve uma acção profiláctica exemplar, lá foi possível reatar os últimos três minutos da partida para nova invasão de campo. Fez-se festa, é verdade, mas podia ter corrido bem melhor.Comentar este artigo
