Um empate na ronda inicial não mata as aspirações da equipa, mas motiva alguma apreensão. Recorde-se que os dragões, há duas épocas, recuperaram do arranque aos soluços e acabaram por garantir o 2º lugar, atrás do Chelsea, relegando o CSKA para a Taça UEFA. Como ponto de comparação com o presente, aqui ficam algumas frase da crónica do Maisfutebol, sobre o último confronto entre o F.C. Porto e os moscovitas: «As feridas de uma pré-época conturbada ainda estão bem profundas e a falta de entrosamento é brutal, numa equipa que mantém vários jogadores fundamentais e conta com nomes de prestígio.» O presente não é tão sombrio, a exibição teve bons momentos, mas a sensação de intranquilidade perdura.
O F.C. Porto defrontou, esta noite, curiosamente, uma equipa com organização defensiva «à Co Adriaanse». O CSKA não abdica do seu sistema com três defesas, três médios, dois alas e dois avançados. Mesmo na Liga dos Campeões. Os adeptos portistas terão reparado na coincidência, que permitiu colocar no tabuleiro de jogo um reflexo mais ou menos fiel do que seriam os dragões com a marca holandesa, frente ao F.C. Porto de Jesualdo Ferreira, com a táctica mais utilizada na Europa do futebol.
O treinador portista lançou Ezequias, Paulo Assunção e Ricardo Quaresma no onze, mas não prescindiu de Tarik que, diga-se, não foi capaz de constituir uma mais-valia ao longo da etapa inicial. O F.C. Porto procurava ganhar vantagem através de duelos individuais, nos últimos trinta metros, mas o marroquino e Quaresma, a quem as fintas teimavam em não sair, não logravam atingir tal objectivo.
Adriano com a cabeça para as nuvens
Sobravam os desequílibrios
do endiabrado Anderson (autor de uma excelente jogada culminada com um remate ao poste), as variações de jogo de Lucho González
e as incursões atacantes dos laterais, condicionadas pela perspectiva de um contra-ataque letal. O CSKA de Moscovo, onde o
médio Daniel Carvalho surgiu como principal muleta de Vagner Love, entregou de bom grado a iniciativa de jogo aos dragões,
mas não conseguiu disfarçar a insuficiência técnica e lentidão da maioria jogadores de Leste, em contraste com os brasileiros.
Aliás, a dureza de rins dos defesas permitiu que Adriano beneficiasse de espaço na área contrária mas, por três vezes na etapa inicial, atirou de cabeça por cima da baliza de Akinfeev. O adversário corria riscos quando procurava responder ao ascendente territorial dos dragões. Em várias ocasiões, preferiu entregar ao seu trio de defesas a marcação aos três avançados do F.C. Porto, criando uma igualdade numérica que poderia ser sido aproveitada de forma eficaz pelo campeão português.
Jesualdo Ferreira voltou a recorrer à fórmula utilizada no Estádio da Luz, frente ao E. Amadora. Face ao nulo até ao intervalo, recorreu à entrada de Hélder Postiga (Tarik foi o sacrificado) e um reajuste táctico, para um 4x2x3x1 que tardou em apresentar os efeitos desejados. Muito por culpa do adversário que, aproveitando a crescente ansiedade dos dragões, foi lançando alguns olhares de cobiça à baliza de Helton. A frescura física e a concentração, principais alicerces das equipas de Leste e lacunas dos dragões na etapa complementar, acentuaram-se à medida que o apito final se aproximava, impedindo que o F.C. Porto desfizesse o nulo.Comentar este artigo

