Jesualdo Ferreira garantiu que Jaime Pacheco fizera «bluff» ao anunciar um Boavista de toada defensiva no Dragão. Não era. Aliás, seria uma manobra de ilusão, de encantamento do adversário na perspectiva de encontrar um buraco motivado pela falta de cuidado. Assim, como se adivinhava a largas milhas de distância, estiveram frente a frente um F.C. Porto mandão e um Boavista encolhido, na iminência do desdobramento repentino. Os dragões recuperaram o figurino vitorioso (após a eliminação prematura da Carlsberg Cup à custa do Fátima), com Lisandro à espera do apoio de Quaresma e Tarik, enquando os axadrezados apresentaram com três homens velozes na frente, para galgarem largos metros de terreno.
Um quarto-de-hora para deixar
o aviso e concretizar a ameaça
Quando a equipa portista subiu ao relvado, após renovados festejos pelo 114º aniversário
do clube, já sabia que o outro «derby», o de Lisboa, redundara num imenso nulo. Com perda de pontos para os dois lados, a
noite parecia correr de feição ao líder do campeonato. Faltava o resto, a sua obrigação, uma vitória, mínima que fosse no
resultado e na exibição, para cavar um fosso tremendo. Porque campeonatos decidem-se aos pontos e, nesse capítulo, a equipa
de Jesualdo Ferreira denota um apetite invulgar, sem paralelo na Europa, como lembrou Camacho.
Num quarto-de-hora, o F.C. Porto teve tempo de deixar um aviso e concretizar a ameaça, colocando-se em vantagem. Ao primeiro erro de Carlos, Lisandro dirigiu a bola para as nuvens, mas teve oportunidade para se redimir ao minuto 14. Novo tiro seco de Quaresma, nova defesa para a frente do guardião contrário e, aí sim, emenda certeira do argentino, na pequena área.
Mais Boavista? Não,
ainda mais Lisandro
Haveria lugar a mudança de planos de parte a parte? Nem por isso. O Boavista manteve-se naquela
toada expectante, que tanto pode dar em nada como em tudo, se a pontaria estiver afinada em dado momento, em esporádica subida
ao meio-campo contrário. Rissut fez por isso, ainda na primeira parte, mas o regressado Helton respondeu à altura. Tudo o
mais, no lado axadrezado, foram cantos e livres, onde o pé esquerdo de Jorge Ribeiro era uma referência incontornável.
Na etapa complementar, diga-se, Jaime Pacheco despertou os seus jogadores e procurou libertá-los das amarras psicológicas. O Boavista deveria comportar-se como um grande e foi isso que quis fazer. No espaço de um minuto, Edgar falhou um golo de baliza aberta e Jorge Ribeiro também cheirou o golo. Aliás, Jesualdo Ferreira pressentira o perigo, preterindo Tarik ao intervalo para lançar Leandro Lima. Com a alteração, o F.C. Porto recuou um par de metros e voltou a despertar os assobios nas bancadas. As inquietações dos adeptos portistas multiplicaram-se até ao minuto 75, quando Lisandro voltou a abanar as redes de Carlos, a passe de Cech. Seis jogos, seis golos de «Licha». Agora sim, pense-se no Besiktas.Comentar este artigo

