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F.C. Porto-V. Setúbal, 2-0 (crónica)

Lucho González regressou de França, qual emigrante com saudades de casa, para apresentar uma nova onda no F.C. Porto

Por Vítor Hugo Alvarenga2012-02-05 20:20h
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Nouvelle vague no Estádio do Dragão. Lucho González regressou de França, qual emigrante com saudades de casa, para apresentar uma nova onda no F.C. Porto, uma onda de confiança renovada e esperança para o futuro.

O argentino pegou em régua e esquadro para desenhar o primeiro golo e confirmar a presença na próxima fase da Taça da Liga. V. Setúbal pelo caminho (2-0).

Em dia de reforços, Marc Janko saiu da sombra para encerrar a festa portista, o longo fim-de-semana com triunfos em todas as frentes. Passou meia época, os danos podem ser irrecuperáveis mas os adeptos olham para 2012 como ano de reencontro com a felicidade.

A derrota em Barcelos desapareceu no horizonte. Por ora, há alegria no F.C. Porto. O fim-de-semana começou com um triunfo Vintage, as saudades de Vítor Baía ou Rui Barros. Depois o andebol, a vitória frente ao Sporting. Mais o hóquei, Benfica por terra no Dragão Caixa. O futebol profissional fechou o cortejo, antevendo duelo com os encarnados na meia-final da Taça da Liga.

Momentos de Lucho no Dragão

Momentos de Lucho no reduto portista. Tudo girou em torno do comandante, o saudado regresso a um navio em maré alta, nem sempre formoso, nem sempre seguro. A jogada de marketing desportivo funcionou.

Ao 24º minuto da recepção ao V. Setúbal, o público matou saudades da geometria argentina. Lucho González apresentou um golo de antologia, a classe espalhada por todos os poros, chegando ao pé esquerdo. Bola em arco, na trave e depois na rede. Momento forte no Dragão.

O sentimento de perfeição não perdura e diluiu-se rapidamente. Os adeptos do F.C. Porto passaram meia-hora a aplaudir um triângulo de sonho a meio-campo, com Fernando nas costas de João Moutinho e Lucho González. O coração do jogo portista batia com outro ritmo, a esperança renovava-se e crescia. Durou pouco.

A perfeição que pouco dura

Num lance aparentemente inofensivo, Fernando incorporou-se no ataque e ficou queixoso. Sentiu algo e foi directamente para o banco. Desconhecendo-se a gravidade da mazela, resta a preocupação para Vítor Pereira. Sem o pêndulo defensivo, o sector intermediário é qualquer coisa de diferente, para pior. Entrou Defour, baixou Moutinho, há também Souza mas nenhum como o Polvo.

Os adeptos relativizaram a questão mas, coincidência ou não, o Vitória começou a crescer desde esse momento. Aliás, mal Fernando saiu, Ney Santos apareceu na área para cabecear à trave. Foi o único lance de verdadeiro perigo para a baliza de Bracali, na primeira parte.

Janko à terceira

Fast forward para o minuto 63. Dupla substituição de Vítor Pereira. O F.C. Porto passa a jogar com Danilo, Maicon, Mangala, Alvaro Pereira, Defour, Moutinho, Lucho, Varela, Janko e James. Junta-se Helton, questiona-se a recuperação de Fernando e Hulk e está desenhado o onze para a recepção à U. Leiria.

Foi com esse formato, com o esboço de um dragão renovado, que o Vitória tombou de vez. Marc Janko viu Matos negar-lhe um golo, perdeu a segunda oportunidade de forma infantil mas cumpriu a missão pouco depois, na sequência de belo movimento ofensivo.

Bola em Moutinho. Dali para Lucho, de novo para o português. Abertura para a esquerda, cruzamento rápido de James e finalização de Janko, na pequena área. Beleza colectiva após o lance de inspiração de Lucho González, na etapa inicial. Reforços validados com o triunfo, soluções alargadas para a equipa portista.

Capítulo final para o V. Setúbal. Jogo sério e esforçado no Estádio do Dragão. Sucumbiu ao desaire com naturalidade. Meyong e Tiago Targino podem dar nova alma na luta pela continuidade na Liga.

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