No período homólogo anterior, os dragões apresentaram um resultado positivo de 20 milhões de euros, justificando a considerável diferença com «a diminuição dos resultados com transações de passes de jogadores.»
 
«Foi uma época verdadeiramente atípica. Antes de mais, porque houve uma mudança de administradores durante o exercício. O administrador anterior (Angelino Ferreira) teve nove meses deste exercício, enquanto eu entrei no último trimestre, praticamente para fechar as contas. O resultado explica-se pelo efeito Mundial, que teve sérios reflexos nas contas, já que as transferências de Mangala e Defour, que geraram mais valias de 25 milhões de euros, foram realizadas após 30 de junho, data do fecho do exercício», explicou Fernando Gomes, administrador responsável pela pasta financeira.
 
Fernando Gomes explicou ainda que os resultados desportivos tiveram influência na contabilidade da SAD azul e branca. «Sem acesso direto à Liga dos Campeões, não houve a entrada de 10 milhões de euros. Uma vez que tivemos de disputar o play-off, esses dez milhões de euros de entrada só serão contabilizados no próximo exercício. No total, são 35 milhões de euros (ndr. vendas de Mangala e Defour mais valor de entrada na Champions) que já estão garantidos no exercício de 2014/15. Se tivéssemos esses valores nestas contas, estaríamos num ponto de equilíbrio.»
 
 
Menos 52 milhões de euros em transferências
 
O FC Porto teve, no ano passado, «um resultado excecional em transações de passes de jogadores»: 76.445 milhões de euros, contra os 23.907 milhões de 2013/14. Uma diferença de 52.538 milhões de euros. As vendas de João Moutinho e James Rodriguez para o Mónaco, em maio de 2013, foram essenciais para os resultados anteriores.
 
«Neste exercício, temos apenas contabilizadas as transferências de Otamendi, Iturbe e Fernando, essencialmente. Como expliquei, as de Mangala e Defour aconteceram após o Mundial e não entram nestas contas», salientou Fernando Gomes, admitindo que a venda de jogadores tem importância vital nas contas da SAD: «É um facto, não só no FC Porto. Nas atuais circunstâncias, não se consegue um equilíbrio sem resultados desportivos, transações e mais-valias financeiras.»
 
O administrador reconheceu que os 35 milhões de euros por contabilizar serão importantes no próximo exercício mas é igualmente verdade que os dragões contrataram vários jogadores depois de 30 de junho, com esses montantes a aumentarem o valor do plantel mas a diminuírem o impacto dos 35 milhões. São os casos de  Adrián López (11 milhões), Martins Indi (7,7 milhões), Aboubakar (3 milhões) ou Brahimi (1,5 milhões, após  alienação, em regime de associação económica, de 80% dos direitos económicos à Doyen Sports).
 
Outros números relevantes
 
- Proveitos Operacionais atingem os 72.613 milhões de euros, registando uma diminuição de 5.829 milhões.
 
- Custos com pessoal diminuem 5.180 milhões de euros, descida de 10% face ao período homólogo.
 
- Capital próprio individual negativo, atingindo em 30 de junho de 2014 os 28.512 milhões, pela incomporação do resultado líquido obtido no período.
 
- Sociedade continua dentro do valor recomendado pela UEFA para o rácio Salários vs Proveitos Operacionais (70%), excluindo proveitos com passes de jogadores, apresentando um valor na ordem dos 67% em 2013/14.
 
- Activo Total Líquido caiu 12%, montante global de 200.396 milhões de euros.
 
- Passivo global cresce 6% para 233.463 milhões de euros.
 
Neste capítulo, a SAD do FC Porto anunciou «a realização de uma operação financeira para reestruturação desse passivo, de forma a assentar uma parte significativa da sua dívida a longo prazo.»
 
Fernando Gomes acrescentou dados importantes: «No mês de julho, já renegociámos com o Novo Banco (antigo BES) o pagamento de uma dívida um ano mais tarde. Em maio de 2015 vence um empréstimo obrigacionista significativo que pretendemos renegociar para um prazo de quatro ou cinco anos.»