Data de nascimento: 22/12/1926

Posição: atacante

Nacionalidade: uruguaia e italiana

Período de atividade: de 1944 a 1968

Clubes representados: Sud America, Peñarol, Roma, Milan AC e Danúbio.

Principais títulos conquistados: Campeão do mundo pela selecção uruguaia em 1950. Campeão uruguaio pelo Peñarol em 1948/49 e 1950/51; Campeão italiano pelo Milan AC em 1961/62; Vencedor da Taça das Cidades com Feira pela Roma em 1960/61; Vencedor da Taça dos Campeões Europeus pelo Milan AC em 1962/63.

Veloz, imprevisível, capaz de remates decisivos, Alcides Ghiggia foi um dos melhores jogadores sul-americanos de todos os tempos. O corpo franzino era a pedra de toque para arquitetar jogadas impossíveis, seladas com golos sacramentais, capazes de calar estádios cheios. Notabilizou-se com a camisola do Peñarol, porém viveu momentos únicos na Europa, quando encantou o campeonato italiano ao serviço da Roma e do Milan AC. Mas foi na selecção que granjeou fama e os maiores pedaços de proveito na sua carreira.

Se o seu nome é adorado no Uruguai, também é motivo de ódios exacerbados em terras brasileiras. Na final do Mundial de 50 silenciou o superlotado Maracanã ao marcar o golo da vitória da equipa celeste diante a congénere canarinha (2-1). Aos 79 minutos concluiu na perfeição uma jogada arquitectada pela leveza dos seus pés. O disparo rasteiro, em jeito de cruzamento, traiu o guarda-redes Barbosa, desamparado com a entrada da bola a escassos centímetros do poste direito.

«Apenas três pessoas, com um único gesto, calaram o Maracanã com 200 mil pessoas: Frank Sinatra, o Papa João Paulo II e eu». O autor da frase dá pelo nome de Ghiggia, um dos artífices do último título uruguaio em mundiais. Marcou em todos os jogos da competição e somou quatro remates certeiros, formando com Schiaffino uma dupla extremamente entrosada no sector mais ofensivo. De olhos fechados faziam jogadas deliciosas.

O Peñarol era o clube da sua terra natal, mas uma agressão a um árbitro motivou a viagem para Itália. Entre 1953 e 1961 defendeu as cores da Roma e conquistou uma Taça das Cidades com Feira (1960/61), sendo considerado pela crítica como um dos melhores futebolistas estrangeiros a actuar no difícil calcio. Na temporada seguinte transferiu-se para o Milan AC, sagrando-se campeão nacional e conquistou a Taça dos Campeões Europeus diante do Benfica (1962/63). Aos 36 anos já não era um titular indiscutível, mas constituía uma importante segunda opção na equipa.

Quando pisou solo europeu naturalizou-se italiano e representou a selecção transalpina por cinco ocasiões, marcando um golo. Disputou a fase de qualificação para o Mundial de 1958 e o perfume do seu futebol alastrou-se pelos relvados até aos 42 anos. Em 1964 regressou ao Uruguai para vestir a camisola do Danúbio, dando a sua carreira como encerrada em 1968, no Sud América, o primeiro clube de Ghiggia, nome odiado pelos brasileiros.