Desde a sua fundação em 1938, as redes do Íbis «encaixaram» 3550 golos, enquanto os avançados acertaram na baliza adversária apenas por 62 vezes. Fazendo contas por alto dá um golo por ano. Isto segundo dados dos próprios dirigentes do clube.

Joaquim Caldas, presidente do Íbis, dá um exemplo: «Entre 1947 e 1991, e só de equipas campeãs no Estado de Pernambuco, sofremos 480 golos e fizemos somente 37. Que time no mundo fez pior?». Impressionante.

O ano 2000 foi um dos melhores, com o clube a disputar o campeonato da primeira divisão em cinco anos e a

conseguir registar uma vitória por 1-0 sobre o Náutico. No entanto a tradição manteve-se e o Íbis «conseguiu» descer de divisão.

Habituado a dificuldades, o clube vai ter de ultrapassar o facto de ter ficado sem estádio, que era emprestado pela câmara de Paulista, e reduzir o orçamento.

O único recurso que resta ao clube é puxar os galões do único título que ninguém lhe tira: o de pior clube do mundo. Para tal, a direcção do Íbis pretende formar uma equipa só para exibições, para participar em particulares ou «jogar em feiras, exposições e festas.» Esta equipa teria jogadores do plantel de 1978, «um dos piores de sempre», que conseguiu sofrer 44 golos em quatro jogos.

«Merchandising» Íbis e botas... de plástico

Outra hipótese de angariar algum dinheiro será o investimento na marca. «Íbis» aparecerá estampado em camisolas, calças e botas... de plástico, porque «de couro é muito caro», esclareceu Joaquim Caldas. Uma segunda solução passará pela «Garota Íbis», uma espécie de «cartão de visita» do clube, que marcará presença nos contactos para negociações.

A «Garota» ainda não foi escolhida, mas qualquer pernambucana que passear num centro comercial poderá ser escolhida pelos olheiros do clube ou pessoas com treino para seleccionar candidatos...

[artigo publicado originalmente a 22 de outubro de 2000]