No, you can't always get what you want

You can't always get what you want

You can't always get what you want

But if you try sometime you find

You get what you need

Os versos de um tema dos lendários Rolling Stones poderiam servir de mote para uma noite histórica para Inglaterra, mas a presença de Mick Jagger atestou a maldição que o vocalista da banda britânica carrega: que a equipa que resolve apoiar ao vivo acaba irremediavelmente por perder.

Durante décadas, a seleção dos três leões esteve afastada dos palcos das maiores provas por razões diversas. Chauvinismo, falta de recursos, azar? Talvez um pouco de tudo isto. Nesta quarta-feira, na melhor campanha inglesa desde o Itália 90’, a equipa de Gareth Southgate esteve mais de uma hora virtualmente na primeira final de um Campeonato do Mundo em 52 anos.

Aos 5 minutos, o caminho para glória parecia parcialmente desbravado quando Trippier executou de forma sublime um livre direto a castigar falta de Modric sobre Dele Alli na zona da meia-lua croata.

FILME E FICHA DE JOGO

O golo madrugador permitiu aos ingleses gerirem o ritmo do jogo. Fizeram-no, há que dizê-lo, com tremenda competência durante toda a primeira parte. Modric, Rakitic e Mandzukic pareciam presos numa espécie de colete-de-forças, sem capacidade para furar linhas e intranquilizar uma equipa quase sempre cómoda mesmo sem bola.

Mais do que à procura de dilatar a vantagem, a seleção inglesa – que, ainda assim, esteve perto do 2-0 por Kane perto da meia hora – focou-se, talvez, obcecadamente, no controlo.

Será excessivo dizer que a Croácia foi uma equipa diferente em toda a etapa complementar. Mas aproximou-se da Croácia que deixou os adversários de rastos na fase de grupos quando Perisic empatou aos 68 minutos numa antecipação a Kyle Walker ao segundo poste.

A partir daí, Modric, Mandzukic e Perisic, o mais inconformado mesmo quando os croatas pareciam com pouca capacidade para virar do avesso o guião do jogo, cresceram. Durante largos minutos, os homens de Southgate pareceram assombrados pelos fantasmas que acompanharam a linha do tempo de mãos dadas com os ingleses ao longo de décadas. Minutos depois do golo, Perisic falhou o bis por centímetros (acertou no poste esquerdo) e nos minutos finais do tempo regulamentar voltou a estar perto do golo após uma saída em falso de Pickford.

Ironia do destino. Com mais quilómetros nas pernas até esta fase, e mesmo sem qualquer substituição orquestrada ao longo dos 90 minutos, os croatas pareciam mais frescos. Controlavam as movimentações do ataque inglês e tomavam de assalto o meio-campo contrário.

Pelo meio, só Stones esteve perto de desequilibrar a balança para Inglaterra na primeira parte do prolongamento, mas Vrsaljko (um dos melhores em campo) negou-lhe o golo com um corte em cima da linha de baliza.

Pouco depois, respirar-se-ia de alívio em Terras de Sua Majestade quando Pickford saiu corajosamente da baliza para negar o 2-1 a Mandzukic que, já de rastos fisicamente, seria letal aos 109 minutos. Lançado por Perisic nas costas de Stones, atirou para aquele que é, até ver, o golo mais importante da história da seleção dos Balcãs.

Triunfo justo da Croácia, que se junta na final à França - que a travou há 20 anos nas meias-finais do Mundial organizado pelos gauleses - e faz história ao tornar-se no primeiro país a superar três prolongamentos seguidos em Mundiais e, já agora, depois de ter estado em desvantagem em todos os jogos. Notável para um país pequeno e com pouco mais de 4 milhões de habitantes mas com elevada densidade de matéria-prima de excelência.

You can't always get what you want

But if you try sometime you find

You get what you need

Ainda não foi desta, Sir Mick Jagger.