Se sabe quem é Abou Diaby não precisa de levantar a mão. Se não o conhece, ou conhece pouco, fique a saber que, nos últimos dez anos, o médio que esteve nove épocas no Arsenal foi internacional 16 vezes pela seleção francesa.

Dezasseis jogos pela seleção não são muitos jogos para um futebolista que já está com 29 anos de idade. Menos parecerão ainda as 124 partidas na Premier League que fez pelos «gunners» durante nove temporadas. A explicação é uma: Abou Diaby tem um histórico de lesões que já o deixou sem jogar vários anos somando os dias de paragem ao logo das épocas.

No final da última época, a ligação entre o médio francês e o Arsenal acabou por chegar ao fim. Em julho do ano passado, Diaby foi aposta do Marselha para esta época. Mas a regra dos problemas físicos continua: ele ainda não jogou um minuto pela equipa do português Rolando. E voltou a lesionar-se na quarta-feira.

Abou Diaby deveria ter estado no banco de suplentes frente ao Granville. A lesão nos isquio-tibiais sofrida no último treino antes do jogo da passada quinta-feira para a Taça de França voltou a implicar nova paragem. O médio tinha boas hipóteses de fazer o primeiro minuto com a camisola do Marselha.

A última lesão tinha sido debelada a 10 de fevereiro. Diaby já tinha estado no banco de suplentes frente ao Trélissac (Taça) e ao Saint-Étienne (Ligue 1). O jogo com o Granville – uma equipa da quinta divisão francesa – chamava à estreia. Não aconteceu. Abou Diaby falhou o Graville (e o Toulouse, neste domingo, claro) e não faz um minuto de competição oficial numa primeira equipa desde setembro de 2014.

Estava ainda no Arsenal. Foi um jogo da Taça da Liga inglesa: o único que fez da época 2014/15. Em 2013/14, defrontou o Norwich, para a Premier League: o único jogo oficial dessa época também. Regredindo nos anos, Diaby andou entre os quatro e os 29 jogos por época no Arsenal, no que respeita à Premier League – fez 124, como já se disse, em nove temporadas.

Diaby foi uma aposta de Wenger até o treinador francês não poder dar-lhe mais hipóteses. Descoberto no Auxerre, o médio foi visto como um novo Patrick Vieira. E o estilo não engana na qualidade que faz lembrar. Jogador de Liga dos Campeões, o internacional francês foi um dos escolhidos para representar os «bleus» no Mundial 2010, na África do Sul.

Na última temporada do médio em Inglaterra, Wenger ainda dizia em novembro de 2014: «É um jogador por quem tenho imenso respeito. Todas as vezes em que regressa tem de começar do zero com outra lesão.» «Ele não é um jogador frágil. Ele foi vítima de uma entrada assassina que ficou por punir», disse o treinador do Arsenal referindo-se a Dan Smith.

O então jogador do Sunderland de 19 anos fraturou o pé a Diaby. Foi a primeira de imensas lesões, em 2006.

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«Se Diaby estiver totalmente bem teremos um novo contrato com o Arsenal», garantiu ainda Wenger antes de virar o ano. Mas, em abril de 2015, o treinador francês já não dava garantias. «Ele percebe perfeitamente que tem de jogar e de estar presente de uma forma consistente. Vamos ver até onde conseguimos chegar», disse Wenger nestas declarações recuperadas pelo «The Telegraph» quando a separação aconteceu.

No final da época 2014/15, o médio francês regressou ao seu país com um currículo cheio de lesões.

Wenger disse que ele não é frágil. Quando se pensa em jogadores cheios de lesões, o holandês Arjen Robben é logo um dos primeiros que vêm à cabeça. O jogador do Bayern Munique também tem, aos 32 anos, um currículo recheado de paragens. E, em número, baterá Diaby. Mas, no tempo das paragens, não baterá.

As lesões de Robben são imensas, mas o tempo parado não é assim tão prolongado como com o francês. As paragens do holandês à volta dos dois meses conseguem contar-se pelos dedos. Diaby já teve paragens de quase 200, quase 300 ou quase 400 dias. Nesta altura, o francês está sem jogar desde setembro de 2014. Diaby, em tempo total, não faz um jogo oficial há quase 600 dias.

Já esteve quase a voltar. O Marselha apostou nele. E continua a acreditar. Mesmo que, como o «La Provence» noticiou, o seu salário baixe para os dez mil euros enquanto estiver lesionado. Mas a crença está lá. Nos adeptos que o acarinharam à chegada. E nele, que não desiste de jogar como já mostrou que sabe.