Data de nascimento: 21 de Novembro de 1961

Nacionalidade: Português

Posição: Defesa-direito

Período de atividade: 1980 a 1997

Clubes representado: Oliveira do Douro e F.C. Porto

Internacionalizações: 70 jogos, 1 golo.

Principais títulos conquistados: 1 Taça dos Campeões Europeus (86/87); 1 Taça Intercontinental (87); 1 Supertaça Europeia (86/87); 9 vezes Campeão Nacional (84/85, 85/86, 87/88, 89/90, 91/92, 92/93, 94/95, 95/96 e 96/97); 8 Supertaças de Portugal (82/83, 83/84, 85/86, 89/90, 90/91, 92/93, 93/94 e 95/96); 4 Taças de Portugal (83/84, 87/88, 90/91 e 93/94).

A mística, o amor à camisola, palavras que eram encaradas com emoção e sentidamente aplicadas a cada gesto de empatia com o símbolo do dragão estampado na camisola de sempre. João Pinto personificou todo o sentimento portista durante duas décadas ao mais alto nível, recolhendo um dos maiores e prestigiantes palmarés alcançados por um jogador português.

Venceu tudo o que tinha a vencer em termos de clubes e sempre pelo F.C. Porto, faltando-lhe apenas o seguimento na Selecção. O melhor momento vivido com as quinas ao peito foi quando integrou a equipa dos Patrícios, que esteve perto de alcançar o título Europeu em 1984. Mais tarde, dias antes de completar 35 anos, regressou à Seleção, após prolongada lesão, para, pela primeira vez no futebol nacional, atingir a barreira das 70 internacionalizações AA, depois de em Dezembro de 94 ter ultrapassado Nené como o jogador português mais internacional.

Antes de chegar ao F.C. Porto jogava no Oliveira do Douro e trabalhava como chapeiro na Salvador Caetano, perto de sua casa. Só em 1980 assinou o primeiro contrato como futebolista profissional, a ganhar 20 contos por mês no primeiro ano, 25 no segundo e 32 no terceiro, passando a 50 quando Pedroto lhe entregou a titularidade, em detrimento de Gabriel. Apesar do destaque que começou a ganhar na equipa principal fazia questão em deslocar-se para o Estádio das Antas num modesto Fiat 127, embora admitindo que gostaria de ter um carro melhor.

Nas camadas jovens jogou em todas as posições, menos a guarda-redes, e na equipa de honra começou como extremo-esquerdo. Mas foi como lateral-direito que alcançou a notoriedade que levou o presidente do seu clube a considerá-lo o «atleta nº1 do F.C. Porto». Pinto da Costa foi ainda mais além na caraterização de João Pinto: «Foi o capitão da equipa do F.C. Porto que ganhou a Taça dos Campeões, em Viena, venceu a Taça Intercontinental e Supertaça Europeia e foi o único português a ter a honra de capitanear uma seleção mundial na festa de despedida de Zico, depois de ter jogado, igualmente, na seleção do Mundo, na festa de Platini».

Os elogios nunca terminam quando se fala no «capitão» portista e da Selecção (por 42 vezes). Um dos seus últimos treinadores, Bobby Robson, chegou mesmo a caracterizá-lo da forma mais impressionante e verdadeira. «Tem um caráter invulgar, uma enorme vontade de vencer, uma atitude irrepreensível. Até parece que tem dois corações e quatro pernas. É muito difícil encontrar um jogador como João Pinto, com tanta motivação, com tanta ambição. Mesmo quando se lesiona, não há dores, não há nada».

Apesar das palavras positivas de quem testemunhou a sua carreira brilhante, o que melhor o carateriza é o momento em que levantou a Taça dos Campeões Europeus num incrédulo Estádio do Prater, em Viena. De seguida, correu imparável e lacrimejante pelo relvado da glória, não largando num único segundo o «caneco» do contentamento. Quando a largou, sorriu para os colegas e abraçou sentidamente Pinto da Costa, voltou a chorar e tremeu de emoção dizendo: «Meu Deus, um rapaz como eu com a Taça dos Campeões nas mãos».