Custou cerca de 4,5 milhões de euros aos cofres leoninos no Verão de 1998, chegou abençoado pela camisola dez dos sub-21 da Argentina mas, dois anos e 14 escassos minutos de utilização depois, desapareceu sem deixar rasto.

O Maisfutebol descobriu-o agora com 31 anos, a gozar os prazeres do dolce fare niente (ou do desemprego milionário, se preferir) na sua Lanús natal. Surpreendido pelo contacto de Portugal, reagiu com desarmante simpatia, antes de derramar memórias dos tempos de leão ao peito.

«O Sporting ainda é o meu clube fora da Argentina. Sempre fui muito bem tratado por todos em Lisboa, só tenho pena do que não consegui fazer nos relvados. Era só um miúdo de 20 anos, sem família nem amigos em Lisboa. Custou-me muito, principalmente nos primeiros meses», atira, em jeito de lamento, para início de conversa.

«O Pedro Barbosa não me dava hipóteses»

Recordemos os factos: 4,5 milhões de euros (à época, o jogador mais caro na história do Sporting), 14 minutos de utilização nas duas temporadas em Alvalade (com um empréstimo ao Lanús pelo meio). Ingredientes mais do que suficientes para Julian Kmet ostentar o rótulo de flop. Confrontado com estes dados, o argentino procura atenuantes.

«O plantel era muito forte. Não era muito fácil arranjar um lugar na equipa. Na minha posição jogava o Pedro Barbosa e ainda o Edmilson e mesmo o Simão e o Gimenez. Não tinha muitas hipóteses», anui, conformado, mais de uma década depois.

«Treinei sempre bem, com aplicação, mas na hora das escolhas finais era sempre eu o excluído. Fui para o banco algumas vezes, mas apenas fui utilizado na parte final de uma partida para o campeonato.»

«Não jogava por causa da imprensa»

O técnico do Sporting era, na altura, Mirko Jozic. Julian Kmet garante-nos que veio para o Sporting por indicação do croata, que o terá descoberto numa prospecção na Argentina.

«Ele viu-me jogar no Torneio de Toulon e gostou do meu futebol. Depois foi à Argentina e convenceu-me a vir para o Sporting. Disse-me que ia ter muitos argentinos no plantel (n.d.r. Quiroga, Heinze, Duscher, Gimenez e Acosta) e apoio por parte de todos. Mas o meu problema começou por ser ele», recorda Kmet.

«Questionei-o várias vezes. Ele elogiava o meu pé esquerdo para me acalmar e depois dizia que eu não jogava por causa da imprensa. Na opinião dele, eu era muito jovem e ele estava a defender-me. Garantia-me que eu ainda não estava preparado e que se jogasse mal os jornalistas desfaziam-me. Enfim, aguentei seis meses e depois pedi para voltar à Argentina.»